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19/06/09

Ficar bem na fotografia

Muito se tem escrito sobre os resultados eleitorais. Independentemente do acto de se ter votado ou não e em quem, o ponto sobre o qual tenho reflectido é se votamos em políticas ou em pessoas, se as duas são o mesmo, se podemos dissociar uma da outra, se os representantes são mais importantes que as políticas em que acreditamos ou vice-versa. Independentemente dos votos estratégicos, dos votos de abstenção dos descontentes sem alternativa, dos votos de punição, dos votos de adoração, dos votos de antecipação, pergunto se alguma vez deixaremos de ter sociedades democráticas, se a democracia pode passar a ditadura de grupos.
Todo o dia de ontem andei a remoer sobre um artigo de Alexandra Lucas Coelho (ALC), aparentemente sem grande relevância para este tema, mas que ao referir a necessidade de conhecer a realidade e a ficção mesmo num outro contexto me deixou a pensar.
A jornalista no seu artigo "Não ficção" publicado nas suas crónicas "Viagens com bolso" menciona três pontos importantes. O primeiro que "a repetição das imagens tira-lhes realidade"; o segundo que "o problema com a ficção é que a realidade existe"; o terceiro "num território esgotado por ficções há um único desenlace real: ir e ver". ALC está descrever o muro, Cisjordânia e Gaza e a forma de vida de milhões de pessoas reais que só quem não viu as ficciona. E é aqui que toda minha análise volta ao início. Será que as políticas e as pessoas se podem separar? E os erros cometidos são remediáveis com outros representantes? E neste caso as campanhas de imagem ao se repetirem tiram-lhes realidade?
Uns dias antes das eleições passadas, um amigo que ainda não tinha visto os outdoors da campanha, exclamou entusiasmado: "Gosto imenso das fotografias com a candidata do Porto. Estão fantásticas!" E eu fiquei a pensar, que na realidade ainda não tinha visto as fotografias, mas apenas a candidata, os lenços e as demais análises ao outdoor estavam filtradas pelo meu enviesamento em relação à pessoa. O meu olho clínico não estava isento e para mim tanto me fazia que fossem bonitas ou feias que não me levariam a votar em quem eu não acredito, porque olhando melhor, o meu amigo tem toda a razão, as fotografias estão fantásticas!

21/04/09

Nós europeus!

Havia dúvida? É muito interessante que se tenha de chamar a atenção para o facto de sermos europeus. E aqui está novo busílis. Se já tínhamos dificuldade em nos assumirmos como portugueses maior ainda como europeus, mas apenas no que toca a eleições e votações porque o resto é um dado identificado ou alguém duvida que uma criança, pelo menos quando inicia a escolaridade sabe se é portuguesa e que Portugal fica na Europa? O nosso problema, e ele há tantos, não é de identidade mas de enquadramento comunitário e aí a maior parte da população não tem qualquer tipo de cultura europeia. Portanto, votar nas eleições europeias tem muito que se lhe diga, e se alguém ambiciona a corrida às urnas é melhor que a focalização do discurso se faça naquilo que se pretende comunicar.

20/02/09

Tripeiros

Insisto, ver o país dentro dum quartinho é o nosso problema! E por isso, gostava que me explicassem o que é isso de ser tripeiro. Eu conheço "O Tripeiro" revista fundada em 1908 e propriedade da Associação Comercial do Porto, que traduz o que é ser a burguesia do Porto, quem são os nomes e as elites da cidade, o que deixaram e construiram, mas não vejo o que é que isso tem a ver com o ser tripeiro e de não ter vergonha de ter nascido no Porto. É claro, que eu compreendo bem o Rui Moreira, quando há tempos falava no seu avô homem de Lisboa que se instalou no Porto, e também sei porque razão ele é visto como um cosmopolita na cidade, apesar de se sentir tão tripeiro, que até edita "O Tripeiro"e até há quem o considere demasiado elitista. Compreendo igualmente que a cidade tem de estar ao nível de outras cidades, mas a questão é saber como medimos a grandeza duma cidade. Pela qualidade das suas gentes, pela qualidade dos restaurantes e saídas nocturnas, pela beleza das mulheres e qualidade dos sapatos dos homens, pela natureza das empresas, pela riqueza do património, pela classe dos seus representantes, pelas instituições, pelo reconhecimento nacional e internacional? É por tudo isto ou é apenas por ter nascido no Porto, ser do FCP e usar cachecol, vir de avião assistir à bola mesmo que se viva a 2000 km, ter um programa pessoal bem arranjado e animado há anos por amizades colaborantes que saltam para a ribalta no momento adequado? Vamos ver quem é que é mais tripeiro e quem é que corre pela cidadania e pelo sentido cívico nacional. De quartinhos regionais não precisamos e esse comboio já mudou de estação, enquanto os potenciais vendedores andaram a ver a bola e a fazer pela vida noutras paragens.

26/05/08

As directas

As directas estão a chegar. Há quem diga que as pessoas querem ser como Obama, por isso votarão no candidato que mais se assemelha. É claro que Pedro Passos Coelho não é nenhum Obama, nem Manuela Ferreira Leite a Sra. Clinton. Podemos querer comparar porque achamos que em Portugal também "temos cá disso". O meu amigo António Neto da Silva, outrora o economista com o sorriso mais sexy do país, também deve ter algum equivalente nos USA, talvez o pudéssemos comparar a JFK. A questão fundamental não é querer ser como alguém, a questão é ser ela própria alguém diferente, com ideias e projectos para o seu país e conseguir que o povo acredite. Obama não se preparou à pressa, a campanha dura há longos meses e o povo americano acredita que ele pode fazer o que nenhum outro conseguirá neste momento. A adesão dos jovens tem sido fundamental para dinamizar campanhas de marketing, de notoriedade e reconhecimento além fronteiras. A comparação com outros lideres poderá ser exagerada, mas é bem verdade que a América e o resto do Mundo não se empolgava nas eleições dos USA desde os tempos dos Kennedy ou de Reagan. E mais uma vez o que importa não é a cor do partido, mas sim as políticas para os problemas que preocupam os cidadãos e o reconhecimento de as fazer cumprir. Neste caso, as directas do PSD serão aquilo que os que nelas votam, pensam que será o desejo e intenção dos votos dos portugueses quando chegar a hora de eleger um Primeiro-Ministro. E é também por isso, que continuaremos à procura do líder que um dia governará a nação.