Os portugueses deram o seu veredicto e disseram, que apesar de apoiarem o PS, não tinham a certeza que governos maioritários fossem a solução para governar com rigor e sem prepotência. O espectro da arrogância desapareceu e deu lugar a outros ouvidos. É uma boa solução, especialmente quando se esperava pouca convicção na orientação do voto.Para o PSD é uma machadada bem acertada para quem não quis ajuda em campanha e acabou por ter de camuflar a verdade. Exige-se que a segunda maior força política se renove, que passe a viver com ideologia, que abandone as políticas de maldicência, típicas da calúnia e boatos de corredor. O PSD de Sá-Carneiro fundado pela ala liberal do tempo de Marcelo Caetano, preocupava-se em passar e viver com esses fundamentos. Hoje, foi consideravelmente penalizado a favor do CDS e nem o recém-chegado Paulo Rangel fez a diferença que Manuela Ferreira Leite antecipou com as eleições europeias. Espera-se, a bem da democracia, que limpe e areje as bases, as cúpulas e angarie novos militantes ou simpatizantes convictos.
O CDS deve o resultado a Paulo Portas e a Nuno Melo, o seu melhor deputado. Considero que é um dos vencedores da noite, veremos se não se considerará mais papista que Sócrates quando chegar o momento de analisar as propostas apresentadas na AR. Concluo com os cinco pontos que considero relevantes:
PS ganhou com maioria relativa ; CDS ultrapassou a barreira dos dígitos; PSD foi consideravelmente penalizado; Bloco de Esquerda não teve a percentagem aguardada; CDU manteve o seu lugar político.
Neste momento, penso que as forças políticas se encontram equilibradas como não se via há alguns anos. O espírito da revolução voltou e eu considero que é uma vantagem para Portugal, porque passamos de amorfos a gente que pensa e bem ou mal actua em conformidade. Muitos portugueses terão votado sem convicção e muitos em sentido contrário do que tinham feito em Junho. Se o fizeram, algo está mal, muitas coisas até, e essa foi a forma de o expressarem com confiança no futuro.

