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23/05/10

Os livros ajudaram e o meu tango também

Os livros são parte da minha vida, vivo rodeada deles, há-os para todos os gostos e enchem metros de parede, fazem parte do meu tango. Por isso quando o meu querido cônjuge encomendou mais uns tantos sobre tudo o que lhe parecia ser útil para entender o cancro em primeiro lugar e o meu em particular, não me admirei de os ver entrar. Aos dois, os livros e o Sr. Jóia. E muito menos estranhei que o segundo passasse metade do tempo, eu diria que nalguns dias foi trabalho a tempo inteiro, a ler tratados de quimioterapia, manuais de sobrevivência do cancro, do cancro da mama, da ajuda do marido, da alimentação apropriada, das medicinas alternativas, das experiências de sobreviventes de cancro, para além de outros que alimentam o espírito e tranquilizam a alma. Por isso, e por tudo o resto que temos vivido eu estou-lhe eternamente grata e é nestes momentos, que nos lembramos das tais palavras ditas um dia, naquela altura em que não fazemos a mínima ideia de como são importantes, e que rezam assim - ... na alegria e na tristeza, na saúde e na doença ... - seguido do beijo que as sela para a vida.
Usei pouco a net para me documentar, li o que me pareceu suficiente e preferi ir lendo à medida que a minha tranquilidade me permitia assimilar o que era importante. Recusei informação a magotes e que se revela desnecessária e concentrei-me na clareza das palavras que me acompanharam na leitura de alguns dos tais livros recentes. Quando temos uma biblioteca pela frente com vários títulos e abordagens à nossa disposição sobre o mesmo assunto, temos de saber escolher. Foi o que fiz. Pelo caminho juntei alguns artigos recentes da net e alguns testemunhos, nomeadamente, "Crónicas da sala de espera" do Beça Múrias de que falei em tempos.
Deixo as referências dos que me ajudaram a compreender e a ultrapassar medos, preconceitos e estigmas sociais, em particular aqueles que nos habituamos a considerar só dos outros e nunca nossos. Perder a referência pessoal e profissional e entrar na categoria de doente é difícil, mas a seu tempo torna tudo mais fácil.
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Referências:
John Link, "The Breast Cancer Survival Manual", fourth edition, Toronto: Holt Paperbacks, 2007.
Lillie Shockney and Gary Shafiro, "100 Questions & Answers About Advanced and Metastic Breast Cancer", Toronto: Jones and Barlett Publishers, 2009.
David Servan-Schreiber, "Anticancro - Um novo estilo de Vida", 1ª edição, Lisboa: Caderno, 2008.

21/09/09

O segundo príncipe

Dizem que ele é o príncipe quando se referem ao rapaz que nasceu no mês das vindimas e que, talvez por isso, foi consagrado pelo ano da colheita. Há pessoas que têm a particularidade de atrair outras e, que pelo facto de serem conciliadoras, mantêm uma aura brilhante e olímpica toda a vida. Quando me pedem para o descrever, saem-me palavras e frases que descrevem actos, acções e paixões. Qualidades enaltecidas por gestos e histórias a condizer. Pequenas palavras que traduzem o momento em que uma mensagem me fez sorrir, uma anedota me ajudou a continuar ou um beijo me compôs o dia. Segundo Frei Pedro, é o rapaz que numa época em que a taxa de divórcios aumenta, teve a coragem de querer casar e dizer sim ao compromisso familiar. Estará, portanto, de parabéns pela decisão tomada e pelos 28 anos igualmente celebrados.
Perguntam-me, agora, o que significa levar um filho ao altar. Querem saber e eu não tenho resposta pronta. Sei apenas o que senti, quando um pai generosamente entregou a noiva ao futuro marido. Senti a lágrima, que teimosamente queria saltar do meu olho que não podia ficar esborratado. Senti a extensão dum abraço, senti que nenhum protocolo substituiria o gesto daquele homem que abraçava outro homem com a determinação dum pai e a confiança no filho. Gestos, que uma mãe sente que também lhe são atribuídos. Abraços que se estendem e famílias que se entrecruzam em celebração da vida, da alegria e da tristeza. É só isto que eu sei do meu segundo e da sua princesa. É só isto, que eu tenho para dizer, príncipe de cabelo encaracolado, olhos de mel, sorriso largo e gargalhada solta.

19/06/09

O dia seguinte

Não sei se é mais difícil o dia da morte se o funeral do dia seguinte, se os outros que se seguem com tudo o que há para tratar, se ainda o primeiro Natal depois daquele dia, se o nosso primeiro aniversário sem mimos, se as vezes em que pegamos no telefone para partilhar risos, confidências, histórias e anedotas da vida com dias menos bons. Não sei se é mais difícil ter de esvaziar guarda-fatos e roupeiros, se o cheiro das flores que não nos sai da cabeça durante meses ou anos, se as coisas que não tivemos tempo de dizer e que gostaríamos, se as coisas que dissemos e não as pensámos, se o rosto de alegria patética de quem já não sabe o que está a fazer, se o desatino de ter de dar a notícia, se a raiva que não passa, se as lágrimas que naquelas horas não correm, se o estado de adormecimento que é lançado em grito quando estamos sozinhas. Não sei se a força é pior ou menor quando repetimos a dose, não sei se um dia recuperamos do choque, não sei quantos anos são necessários, não sei se temos de chegar ao nosso dia para que outros sintam a dor que carregamos. Não sei quantos são precisos, mas sei que 15 anos não é o suficiente para esquecer o dia em que te vi partir e em que tu, meu Pai querido me abandonaste.

19/03/09

Dia do Pai



Barack Obama's Speech on Father's Day

Haverá, porventura, outros discursos igualmente importantes, mais curtos e em português. O discurso de Obama no Dia do Pai, não foi apenas um discurso de campanha. Foi o discurso dum filho para um pai e dum pai para as filhas. Acima de tudo é um discurso sobre a família, sobre responsabilidade, amor, dedicação, orgulho e expectativa. E nunca é demais relembrar, ouvir, fixar e pensar!


Barack addressed the congregation at the Apostolic Church of God in Chicago, IL on June 15, 2008.