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30/06/09

Dez anos de valores em Portugal

O Público divulga hoje uma análise comparativa sobre os valores pessoais e sociais dos portugueses face a dados de 1999. Portanto, dez anos depois e partindo do princípio que o método de amostragem com grau de confiança de 95% e desvio-padrão de 2,75 é fiável, foi colocada a seguinte questão:
"O que é mais importante para a maioria das pessoas que conhece?"
Das 937 pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 65 anos que responderam ao inquérito resultaram os seguintes dados:
Do total de inquiridos 39,1% considera que "ser rico" é a coisa mais importante, 31,3% "ter boa posição social", 30,6% "ser honrado", 27,5% "ter influência/ poder", 26,9% "amar e ser amado", 24,1% "ser famoso/ter prestígio", 22,5% "ser profissional competente", 22,3% "ajudar os outros" e 13,2% "ter fé".
Assim a olhómetro o que me saltou à vista, foi que ser rico, ter boa posição social e ter influência/poder não ter nada a ver com querer ser um profissional competente. Mas, ser honrado parece que ainda é coisa com valor. Perder tempo e feitio com a fé só 13,2% e ajudar os outros....já tivemos melhores dias.
Estamos mais individualistas e também mais tolerantes e temos menos preconceitos. Mas o que gostamos mesmo é de paz (66,6%), liberdade (58%) e justiça (45,8%). Harmonia social? Uns 11,8% e já vamos com sorte.
Tudo valores que a sociedade portuguesa, pelos vistos preza e que os políticos pouco têm privilegiado. Talvez não fosse pior olhar para alguns inquéritos antes de saírem as primeiras sondagens de intenção de voto para as legislativas. Pode ser impressão minha, mas a Justiça anda mal, a Liberdade depende do conceito e não percebo como pode haver tanto empenho na Paz e tão pouco na Harmonia Social, para já não falar nos ideais que, enfim, já eram! Pela família, 87,4% está disposto a morrer, pela pátria? 28,2%. Por causa política 3,2% e curiosamente 12,8% diz que morria pela sua religião e que representa basicamente os mesmos que consideraram que a fé valia 13,2%.
Este último dado ou não faz sentido ou é preocupante. Por outro lado, significa que os inquéritos e os métodos de amostragem estatística valem o que valem.
O que nos interessa é a qualidade do povo. Um povo que não sabe não pode responder direito, o seu voto não deveria ter o mesmo valor e é por isso que muitos se abstêm de votar, porque não sabem em quem. Como felizmente vivemos em democracia, haverá formas de ensinar quem vota a saber escolher com conhecimento e convicção e com poder e razão. E a quem se entrega esta função de ensinar? Aos políticos sem qualquer dúvida, através do exemplo e da seriedade, à sociedade civil através de intervenção cívica, social ou religiosa. Não quero concluir que temos o país que merecemos, mas quando aceitamos sem um piscar de olhos barbaridades, aldrabices, desonestidades, vigarices e outras situações que nos deveriam incomodar, a única palavra que me vem à mente é cidadania falhada e não derrota da democracia como muitos querem fazer crer.
Nesse sentido, o inquérito "Dez anos de valores em Portugal" que é hoje apresentado no seminário "A urgência de educar para os valores" deve merecer atenção e leitura sem preconceitos, mesmo se a principal questão de fundo tenha por base valores morais e/ou religiosos.

19/03/09

Dia do Pai



14/03/09

Os Beatles na Universidade

The Beatles, Popular Music and Society é o primeiro mestrado, no género, a ser oferecido por uma universidade, e que a Hope University de Liverpool está a organizar. O tema tem atraído vários interessados, o que não é de admirar. Segundo, Mike Brocken, professor naquela universidade, apesar de haver cerca de 8000 livros sobre os Beatles a análise sobre a sua influência na música popular tem sido pontual e raramente aprofundada por estudos académicos. Apesar das já esperadas críticas da comunidade académica internacional, este é um tema que provavelmente já merece tese de mestrado. Eu gostava de saber como vão reagir em Portugal os nossos académicos sempre desconfiados de teses "à la minuta". E vá lá que a Grã-Bretanha não aderiu ao processo de Bolonha, caso contrário já se previa a atribuição de mais uma fantasia "à la carte". Permitir o estudo de áreas que seriam impensáveis de creditar numa licenciatura de física, engenharia ou literatura em tempos passados é de louvar, mesmo que se possa por em causa a qualidade de alguns temas ou ensino e aprendizagem de outros. Com a devida contenção de créditos, qualquer um pode hoje ter uns lamirés sobre qualquer assunto. E este pode ser o primeiro passo para que continue o estudo de áreas, fora do seu percurso inicial, mas que o podem tornar especialista noutras que nunca tinha pensado. Desde que não fique pelos lamirés, claro está!

06/03/09

Proteger a liberdade individual?

"Vá dizer aos adolescentes que namoram, que querem dar o passo seguinte e viver em união de facto, que agora vão ter que assumir tudo isto. E que quando a relação acabar têm de indemnizar o outro. Esta esquerda que se diz moderninha quer entrar em casa das pessoas e impor os seus padrões" (Nuno Melo)

O deputado do CDS apesar de ter razão no essencial e da sua adolescência já ir longe, atirou uma frase bombástica típica do ambiente da AR mas desvia a atenção do que interessa. E o que está mesmo à vista é que se o PS não conseguir aprovar a lei do casamento homossexual, tem por antecipação, a lei que vigora sobre as uniões de facto muito mais apertada e distinguindo-se pouco do que vigora no casamento civil, permitindo também, a seu tempo, facilitar a adopção por pessoas que vivam em comunhão ou em união de facto. Com isto pretende-se fazer lei à força, com a subtileza de nos fazer pensar que vamos todos ficar melhor. Provavelmente é fazer justiça alargada, mas é sem sombra de dúvida uma rasteira para todos, a começar pelos que querem que o casamento não tenha género e que seja aprovado. Este é um ponto onde naturalmente os partidos nunca vão estar de acordo e é também por se saber disso que o PS e o resto da esquerda quer adiantar serviço e aprovar o que já existe. E se for tão semelhante ao casamento que pouco distingue os regimes, a imposição de direitos retira pertinência a outros debates, mesmo que ao abrigo da liberdade ou da igualdade. E quanto a proteger as pessoas para que decidam livremente sobre as suas vidas, não me parece que necessitemos do estado para nos dizer como fazer.

05/12/08

Solidariedade

Adelaide Ferreira, Ana Moura, Dulce Pontes, Claud, Jacinta, Joana Pessoa, Katia Guerreiro, Lúcia Moniz, Susana Félix, Manuela Azevedo, Nancy Vieira, Rita Guerra, Teresa Salgueiro e Xana são as vozes que deram vida ao projecto do CD"Mulher passa a Palavra".
As receitas do CD revertem a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro. O objectivo é chamar a atenção das mulheres portuguesas para o problema do tumor do colo do útero
.


(Woman - John Lennon)
(Publicado pela Ana V. na Porta do Vento)

Ventania, sem rei nem roque

Por um lado a ideia das portas abertas é boa, poder entrar e sair sempre que nos apetece dá-nos a ideia de liberdade. Por outro lado, sempre que alguém pretende escancarar a porta as dores nas costas aparecem e, ai! que está muito frio e as correntes de ar são perigosas. Nos últimos tempos temos tido muitos ventos. São os ventos da crise financeira, são os ventos dos professores, são os ventos dos militares, são os ventos dos reformados, são os ventos dos médicos, são os ventos dos partidos, são os ventos da memória, são os ventos!
Neste último ano, ninguém esperava que tantos agasalhos fossem necessários para tapar buracos de diversas naturezas. E isso é que é perigoso, porque estamos a chegar ao Natal e a nossa boa vontade está muito gelada. Nesta altura do ano, necessitávamos de ter um pouco de conforto para iniciar um ano que se avizinha muito difícil e em que precisamos de acreditar que as vozes que até aqui se têm levantado o fazem com a determinação esperada, embora cada vez me pareça mais difícil sobreviver num país que não tem nem rei nem roque.

18/11/08

David Lynch


David Lynch, cineasta, escritor,compositor...

25/10/08

O leitor faz o título


McCain & Bush- Love at First Sight

07/10/08

King's and Guy's

Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984, faz hoje 77 anos. Tutu é um dos "guys" que passaram pelo King's College. Tutu é referência para todos os estudantes que frequentam a Universidade de Londres. Entre King's e Guy's todos credenciam a Instituição.

Vai tudo pelo cano abaixo

A economia da Europa não está nada bem! Nós já sabíamos isso, mas parece que cada dia que passa, jornais, políticos, comentadores e outros se apressam a contar a mesma história, porque apesar de serem várias elas - as histórias - terminam sempre da mesma maneira: "isto está muito mau, e a crise vem aí." Quer dizer, a crise está aí ou aqui há muito tempo, quem anda no mercado sabe que as encomendas baixaram, que os clientes não pagam ou que estão a pagar a 240 dias, que os fornecedores têm dificuldades em cumprir prazos de entrega pela simples razão de que não têm capacidade de negociação, os preços são elevados pela mesma razão, o crédito malparado é coisa de todos e não apenas da banca, que o endividamento é de todos e não apenas de algumas famílias. Por isso não é de admirar que esse grande projecto, aposta de governos e governantes, grande reflexo da "nossa entrada na Europa" como se disse na altura, esteja a correr perigos. A Autoeuropa vai parar a produção de mono-volumes VW Sharan e Seat Alhambra por falta de encomendas. A fábrica já tinha parado a produção no mês passado por falta semelhante. A produção que se destina ao mercado espanhol está em queda e Portugal vai atrás. A maior preocupação da fábrica são os 40% de encomendas do desportivo VW Eos que se destinam aos EUA. E a fábrica continuará a parar em Novembro e Dezembro, ou seja todos os meses. E o desemprego não tardará, apesar de nos quererem adormecer com palavras para embalar meninos "...é um indicador de crise, apesar de se tratar de uma medida sem risco de despedimento, encaixando-se no banco de horas da fábrica" (António Chora, ao Público).
Nós já sabíamos que a União Europeia tinha muitos frutos, acontece que a maioria das pessoas estava convencida que pelo meio só havia alguma fruta pisada, mas acontece que ela parece estar a ficar completamente apodrecida. E quando a fruta está neste estado, qualquer dona de casa sabe que tem duas hipóteses: ou faz uma saladinha ou deita tudo pelo cano abaixo. Pois é o que está a acontecer à Europa, a salada parece que já deu o que tinha a dar, e neste momento cada um compra a sua fruta isoladamente e quer dinheiro novo à vista. A questão é sabermos que dinheiro, e quem dá o primeiro passo para atirar tudo pelo cano abaixo.

11/07/08

Roubado ao Murcon

Amor Moderno em análise e o estudo da Universidade de Pavia, Itália , citado pelo Júlio Machado Vaz .

"Pronto, tudo explicado!:)
Amor de paixão acaba depois de um ano, diz estudoUm estudo realizado na Universidade de Pavia, na Itália, aponta que o amor de paixão dura pouco mais que um ano. Os pesquisadores descobriram que uma substância cerebral chamada de neurotrofina é a responsável pelas mudanças no comportamento dos casais, segundo a BBC.Com a realização de estudos sobre relacionamentos longos e curtos, constatou-se que os níveis da proteína, responsável pelas primeiras exaltações do sentimento, como a euforia e a dependência que surgem logo no início de uma relação, baixam depois de certo tempo. Foram analisados 58 homens e mulheres entre 18 e 31 anos, nos quais verificou-se as alterações dos níveis dessa substância cerebral.Os cientistas observaram indivíduos que haviam recém-iniciado um namoro - nos quais os níveis da proteína estavam elevados. Um ano depois, nas 39 pessoas que ainda estavam juntas, a quantidade da substância do cérebro havia diminuído.Para um dos autores do estudo, Pierluigi Politi, a descoberta não indica que as pessoas deixam de estar apaixonadas, mas que o sentimento se tornou um tanto "estável". "O amor romântico parece ter acabado após algum tempo", declarou afirmando que novos estudos sobre o tema ainda serão realizados. "
posted by Julio Machado Vaz

07/07/08

A jóia e a paz do guerreiro

Ter espaço próprio e um pouco de paz não tem nada que se critique a pais que trabalham dentro e fora de casa. Procurar meios para entreter filhos para conseguir esse sossego é tarefa que todos os pais modernos ou antigos sempre tiveram pela frente. Independentemente da idade, todo o progenitor necessita descanso porque uma criança cansa e até aqui nada de especial a comentar.
O rapazinho que acorda às seis da manhã, chora porque tem fome, a lindeza que acorda a meio da noite tem cólicas, aborrece o adulto que dorme e desperta toda a vizinhança. É uma das situações inerentes à condição de ser pai ou mãe.
A questão está na dificuldade em ultrapassar as implicações da maternidade e da paternidade.
E numa altura em que se debate a aplicação de penas pesadas para os incumpridores dos deveres para com o cônjuge que tem a custódia dos filhos em caso de divórcio, este tema volta a ser importante discutir, tanto mais que os homens reivindicam cada vez mais o seu direito ao aumento do tempo com os filhos, face à sua nova atitude perante a paternidade. Passando mais tempo com os filhos os pais têm iniciativas e aperfeiçoam a técnica do entretenimento. Como já disse anteriormente e volto a relembrar quem regressa a casa não é o "bebé Nenuco".
Assim, o pai que coloca o plasma no tecto do quarto do filho é apenas um pai habituado ao mundo virtual. Antigamente o pai tinha de esperar pela idade em que podia jogar à bola com o filho ou ir ao cinema com a filha para ser útil e feliz e situar-se na tarefa que lhe estava destinada - ser pai.
Hoje, o novo pai, ensina o que sabe. E o mundo dele são as consolas de jogos, os vídeos, o computador, e ele mais não faz do que iniciar o seu sentimento de utilidade paterna logo que pode. Com os comandos que potencialmente terá em casa este pai, e estes pais que mal os seis meses chegam passam o rebento para quarto alheio, são os pais que me asseguram que agora há todos os meios para vigiar à distância.
Eu que até não sou muito antiga e já vi destas coisas há 30 anos, lá longe no país do frio, não fico espantada. São exemplos da modernidade dos tempos em Portugal e dos pais que descobriram o conceito do grande espaço virtual. Os pais da globalização falam pela mesma cartilha e aprendem com os mesmos filmes e não necessitam das nossas antigas empregadas - criadas para nos ajudarem - ou dos familiares para nos falarem com a sua experiência.
Os pais ficam tranquilos porque sabem que com o auxílio da domótica podem controlar se o bebé chora, respira, tosse, mexe a perna ou o pé. Juntando a isto o livro da interpretação dos choros - se quer arrotar, se quer comer, se tem a fralda encharcada até ao pescoço - os pais nem necessitam de ter o bebé dentro de casa.
Não tardará o dia em que a casota do cão será o espaço do bebé. Aquilo que no passado se destinava a arrumos de bicicletas e brinquedos de praia, passará a ser o habitat infantil quando alguém disso se lembrar.
É mais ou menos o equivalente aos lares para idosos em versão júnior. E à distância, com os seus comandos, os seus visores, os seus computadores e as suas câmaras, os pais poderão estar descansados e continuar a sua vida tranquilamente. É claro que tal como nos lares não faltará comida nem faltará agasalho. Faltará o mais importante - os sons e os afectos - o carinho e o amor do familiar.
E as mães? Bom essas, como querem ter mais paz e sossego porque trabalham e não querem perder nada do adquirido, estão felizes e tudo lhes parece bem. Faltará a voz, o comando para situações diversas, o acompanhamento e acima de tudo a partilha do tempo com os seres que supostamente se desejaram. Olhem é o que se pode e como diz o outro, contra argumentos destes não há palavras.

10/02/08

A Boda e os Bobos

Entre a capela da moda e a igreja do lugar eis chegado o Grande Dia. O cónego ou o senhor padre entra seguido dos seus acólitos. Os noivos aí estão no altar, e nas alas da bela Capela sussurram bem alinhados os devotos familiares. Ouvem-se cântigos modernos cantados por artistas a convite. Mais atrás, entre ateus e transeuntes estão os assistentes.
A missa vai avançando, os fiéis vão tateando e recuando nas respostas, porque já estão meias esquecidas, porque têm pouca convicção. De vez em quando, uma criança chora, os assistentes olham para o ar admirando os "frescos" que ainda, lá continuam, os vitrais também. "olha só, já viste que bonito?" pergunta a avó ao neto, "canta filho, que as músicas são tão lindas!". Mas o neto não as reconhece. Ainda se fossem cantadas pela Shakira.
O ritual continua, os homens olham para o relógio, senta, levanta "é agora?" pergunta um. Schh... diz outro. A celebração termina tímida e frouxa para os assistentes. Grandiosa e triunfante para o Dono da Casa e seus novos convidados de luxo.
Os Bobos lá vão embora, divertidos, cumprimentando e fantasiando pelo que se segue: o jantar requintado ou o almocinho para uns, sexo e fanfarra mais tarde para outros. As jóias, essas são de todos: uns ambicionam o lugar do noivo e outros acreditam no papel da noiva.
A imprensa do dia seguinte, diz que nunca houve tantas pessoas a assistirem à missa nas Igrejas portuguesas. Pena é que estejam um bocado enferrujadas!

30/01/08

O Metro e o Andante

O Metro e o Andante têm conceitos diferentes. No Metro o percurso é rápido. As pessoas entram e procuram não falar com ninguém. O espaço e o meio servem um fim: chegar rapidamente ao destino, sem dirigir palavra ao vizinho do lado. O Metro é um meio de transporte democrático, ele abraça todo o tipo de pessoas, com pressa e sem pressa todos querem chegar a um lugar de preferência alto.
O Andante é uma combinação de dois meios de transporte, normalmente implica que uma das fases já tenha sido feita noutro comboio, camioneta ou autocarro. As pessoas conversam, esboçam um sorriso, mostram que conhecem o outro, e é um excelente exemplo das nossas gentes, especialmente daquelas que não têm outra hipótese senão a de ir andando até chegar ao topo. Quem frequenta o Andante alimenta histórias a preço de almoços.
O Andante é também um reflexo da cidade que o acarinha: o Porto! A cidade gosta de se envolver no ritmo dos que chegam, é uma cidade que procura o visitante para lhe ensinar o caminho. O Porto de hoje, tem espaços que merecem ser visitados e procurados. O Porto só necessita de fazer uma coisinha para se tornar mais sexy: vestir menos roupa e mostrar mais o corpo.
O corpo da cidade deve ser mostrado e apesar de bem vestido, o Porto tem de aprender a vender as suas beldades. Só assim, conseguiremos colocar a cidade ao nível de outras cidades europeias e só assim, também conseguiremos que o visitante aprecie o andamento das ruas, das galerias, dos locais de moda. Talvez, até se consiga mover o Metro para o Porto e juntar o Andante a quem só tem Metro. É que todos ficaremos melhor se esta coisa dos sons e das palavras nos aproximar da terra e nos afastar do mar.

"Olhómetro"

Na época em que o olhar se cruzava com o observar, os entendidos apresentavam aos seus chefes, entendidas observações feitas a "olhómetro". Não admirava por isso, que os números fossem "à volta de " ou "cerca de" qualquer coisa. A avaliação dos relatórios, essa sim, era de zero a vinte.
No último "Prós e Contras" a observação cruzou-se com o ver: Carlos Carvalhas lembrou-se que é economista. E como a época já não é de "olhómetro" mas de "plano tecnológico", foi o único que calmamente apresentou números, estatísticas e fontes para sustentar os seus argumentos. Desta vez, Carvalhas tocou nos pontos que fazem desta "jóia à beira mar plantada", um terminal de embarque para outros paraísos.
É nestes momentos que vale a pena pensar no arranjo das palavras e no embelezamento dos dossiers.