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11/12/09

Ibirapuera 2009

Ibirapuera, SP 2009

19/10/09

De marcha à ré para São Paulo

Dia a dia em São Paulo (Foto retirada da net)

Quando o viajante parte, leva algumas ideias feitas sobre o que vai encontrar. Ele sabe aquilo que a maioria contou, os sítios que deve visitar, os locais que não deve ver, a segurança que deve ser integrada na insegurança do que, na verdade, não tem ideia. Sendo, nós portugueses, uns aventureiros dos mares não entendo porque ficamos uns totós em terra desconhecida e neste caso irmã. E sendo os nossos conterrâneos quem mais teme sair de casa, percorrer ruas e que nos tenta demover das visitas programadas pela nossa imaginação e curiosidade, o caso ainda se torna mais sinistro. Se fosse para ficarmos enfiados num shopping ou num hotel, bastava ficar em casa e correr o mundo pela Internet. Salazar gabava-se de o conhecer pelo que lhe contavam e sem sair da sua redoma. Não conhecia, porém, o mais importante da identificação dos povos e que se traduz pelo cheiro da massa humana!
Aterrar em São Paulo e fazer a primeira paragem numa Cervejaria Paulista fez o primeiro impacto. Para meu encanto, a esplanada estava cheia de jovens que na maior das tranquilidades namoravam, riam e mantinham as bolsas a curta distância sem paranóia de roubo. Passear na Paulista, numa noite que estava particularmente amena foi uma simpatia da cidade que me pregaria uma rasteira dois ou três dias depois com a chuva tradicional e o frio a desoras. Um dos traumas da cidade, é tal como em Londres, o tempo. O tempo anda para a frente e para trás entre aquilo que é apenas reconhecido por duas estações. Uma mais quente e outra mais fria, com as mesmas características: com mais ou menos frio e mais ou menos chuva, eis o clima de São Paulo. Talvez por isso, se trabalhe tanto, se crie de forma sôfrega e se passe tanto tempo a inventar tempo. Tempo para o engarrafamento diário, tempo para o almoço de negócio, tempo para experimentar os espaços temáticos e as verdadeiras jóias de conceitos gastronómicos.
São Paulo, fundada pelos portugueses Manuel da Nóbrega e José Anchieta, está ao nível de muitas cidades americanas e europeias e não fica atrás de Nova Iorque ou Londres no que respeita à arquitectura moderna, às livrarias, ao design conceptual das lojas e galerias, à apresentação de conceitos de arte, ao teatro, aos meios de transporte dentro da cidade. O metro, apesar de ter de crescer para as zonas adjacentes à cidade funciona muito bem nos principais pontos daquele centro, em que os carros circulam a passo de caracol. Uma cidade que apresenta tudo o que uma pessoa de gosto refinado pode querer e com as alternativas mais populares para todos os gostos. Segurança a começar pelo facto das favelas estarem mais confinadas que no Rio de Janeiro e que apesar de fazerem parte da cidade, se podem atravessar de carro sem medo ou com a precaução óbvia de todos os lugares do mundo menos recomendados. A violência em São Paulo existe como em Londres, Nova Iorque, Lisboa ou Madrid, só que em dimensões desajustadas da nossa realidade e até da nossa capacidade de percepção e que, a não ser por necessidade ou trabalho ninguém procura, para passear e convidar o assalto. Se durante o dia a cidade é muito airosa, achei-a escura e pouco iluminada à noite.

Edifício Itália ( foto de Filipe Mostarda)

Do alto do Edíficio Itália podemos observar o crescimento de uma metrópole onde tudo é recente e desperta o entusiasmo de quem tem poucos anos de edificação. No Metro, debaixo do asfalto a azáfama de quem trabalha, vive e habita a cidade desde o tempo da sua independência e construção. Ao contrário da lentidão do trânsito a rapidez das reuniões de trabalho demonstra uma cidade que não pára e profissionais que não têm tempo para ficar pasmados. Esta é uma cidade que mexe connosco, com as empresas, com o desenvolvimento e a criação de riqueza num país ainda cheio de contrastes.

14/10/09

Vozes com eco

São Paulo, Brasil
De vez em quando as vozes levam-nos aos lugares certos. Um dia, na televisão portuguesa, Pacheco Pereira, fez uma entusiasmada descrição do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo. Fiquei com aquele eco na mente e uma vez na cidade, dela não sairia sem o visitar.
O fim da primeira parte da minha estadia em São Paulo, começa aqui. A Estação da Luz, a 25 de Março e o Mercadão, símbolos duma cidade em que todos têm um lugar.

Museu da Língua Portuguesa de SP

Apesar de ser fora do Museu que o idioma essencialmente se fala, é dentro dele que a língua se mistura com a sua origem cultural se ensina e se renova. Tem por objectivo dinamizar a importância do português no Brasil e orientar jovens, estudantes, professores e interessados em geral, na leituras de textos e de autores da lusofonia. Diversas exposições centradas no português têm lugar na antiga Estação da Luz que, neste momento, assinala em exposição os 120 anos do nascimento e obra da escritora Cora Coralina.


Interior do Museu

Algumas vozes mais conservadoras não consideram aquele espaço um Museu, mas apenas uma exposição. Para mim, foi o que eu estava à espera, ou seja, um espaço falante e interactivo entre o português de Portugal, o português do Brasil e o português Africano. Um Museu de português, com sotaques distintos e sem necessidade de acordos ortográficos para todos se entenderem. E como todos os espaços que não parecem museus, tinha gente e pessoas interessadas pelo que se lhes apresentava e que mais não era do que o respirar lusófono.


Quem vai para aquela zona da cidade, segue o trilho da 25 de Março. Aquele caos no meio da rua, num sábado de manhã, foi puro entusiasmo turístico e não me impressionou em particular. A segurança é, no entanto, quase total devido ao policiamento bem marcado. O aglomerado de gente a vender cuecas, meias, e diversos artigos de "marca" não é diferente das nossas feiras a não ser na dimensão. Nas lojas ou galerias de cada lado da rua podemos comprar por um terço do preço e com atendimento personalizado, mas mesmo aí, temos de ter muito tempo para escolher bem. E nesse caso, encontramos de forma mais confortável na Av. Paulista, algumas galerias de "marca" ao preço da chuva e sem tantos apertos ou perdigotos. Na verdade, tudo se repete como se estivessemos numa qualquer grande cidade em que as marcas se encontram no quarteirão seguinte, caso o comprador não a tenha visto no primeiro momento ou queira repetir a dose. A diferença é o tal do intangível valor intrínseco. O diabólico e glorioso empenho seria conseguir levar um dia, este público ao Museu sem artes ou artimanhas.

Mercado Municipal de São Paulo

O Mercadão mostra o tamanho do bolso de cada um. Entre frutas exóticas, carnes, peixes e bacalhau "do Porto", queijos e linguiças, milho, frutos secos, azeites e temperos diversos, as lanchonetes do pão com mortadela, o bolinho e o pastel de bacalhau, o sushi da moda e o choupe da ordem, fazem deste lugar um espaço onde todos podem saborear o tradicional e o desejável a preços democráticos. Do ponto de vista humano, é um lugar de mistura de sabores e de tradição étnica segundo a origem de cada um.
Enquanto esperava um lugar para me sentar as "moças" ouviram a minha voz e afirmaram. "Ela é portuguesa. Conheço o sotaque!". A conversa estava estabelecida e o lugar para me sentar garantido. "É só um instantinho e você se senta aqui. Tá bom assim?"

Claro que estava mais do que bom, no fim de contas, estavamos as três em casa e eu ia comer e beber o mesmo. Fiquei a saber que uma tinha família a trabalhar em Portugal, outra tinha enviado um filho para estudar. Vidas comuns de gente igual e com eco na fala.
Nota: Fotografias tiradas da Net

03/10/09

Pedi emprestado por uns tempos

Pedi emprestado ao Mike e à Ana Mestre, este belo poema de Ivone Carvalho. São Paulo é o mote, a cidade o meu destino durante os próximos tempos. Levo comigo as palavras e os desejos de quem ama a cidade.
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MINHA SÃO PAULO (Ivone Carvalho)
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São Paulo é terra querida,
Onde nasci e sempre vivi.
Sampa representa VIDA
O que pensar se encontra aqui.
Vila fundada por jesuítas
sem dúvida, a mais progressista
a mais moderna, a mais mista
Maior cidade da América Latina!
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Cidade das contradições,
das misturas, da cobiça,
da ambição, do romantismo,
da arte, cultura, dinamismo,
do estrangeiro é o destino,
também do gaúcho e mineiro,
do nortista e nordestino,
gente do Brasil inteiro!
.
Terra da gastronomia,
das belezas naturais,
da natureza modificada,
da tradição, da instrução,
terra de todas as nações,
raças, cores, religiões,
do modernismo, do progresso,
da bela arquitetura, do sucesso.
.
De arrojada engenharia,
da pressa, da correria,
do dinheiro, do investimento,
da garoa, dos alagamentos,
do céu estrelado, da lua cheia,
do arco-íris, da poluição,
do túnel sob o Pinheiros
da Ipiranga com a São João.
.
Do trabalhador responsável,
do Tietê que já foi navegável,
do turista, dos imigrantes,
do trem dos estudantes,
da pobreza e da riqueza,
da insegurança, da esperança,
da droga, da geração saúde,
da ousadia, da pujança.
.
Da Paulista, das Marginais,
dos qualificados profissionais,
do desemprego, da lisura,
dos aproveitadores, dos “espertos”,
da indústria da multa,do camelô,
das muitas linhas de metrô,
da Lapa, Ibirapuera, Jaguaré,
do Brás, Ipiranga, Tatuapé.
.
Do Bexiga, Mooca, Liberdade,
do teatro, cinema, balada,
tem tudo nesta cidade!
O churrasco a qualquer dia,
quarta e sábado é feijoada!
chopp no bar ou calçada
pós o trabalho, no verão,
bate-papo em toda estação.
.
De trânsito congestionado
É carro pra todo lado,
Ao paulistano irrita.
Da indústria e do comércio,
Sede de grandes congressos,
Da Festa da Aqueropita,
da Serra da Cantareira,
é a Capital altaneira!
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Tem Jardins e Alamedas,
Tem a Bolsa de Valores,
Terra da Sé, da Catedral,
Do Horto Florestal,
Do grande Memorial,
Dos Centros de Convenções.
Da Roosevelt e da Luz,
Que dos trens são estações.
.
Tem o Pico do Jaraguá,
Templos de todas as crenças,
Tem tudo em que tu pensas
Tem o Arnesto e o Trem das Onze,
Tem o Sampa do Caetano
exposições no MASP todo o ano,
O pastel e os musicais,
Todas comidas regionais.
.
São Paulo tem tudo isso
E, garanto, tem muito mais!
quatro e meio séculos de vida,
onde o viver é corrida,
só nos falta, aqui, o mar!
desenvolvimento sem vírgula,
pois seu lema determina:
A cidade não pode parar!