21/11/09
11/11/09
09/11/09
Em Maresias a economia soube a pouco
Com o final da tarde veio o vento e mais tarde a trovoada e a chuva. Esta manhã em Maresias o tempo estava sombrio e a chuva fininha não convidava a praia nem antecipava sol. Da minha varanda vejo o céu a querer abrir, dizem -me que amanhã ou depois teremos outra vez sol. Nessa altura estarei a meio caminho do regresso a Portugal. Terei passado Santos, chegado a São Paulo e passado pela última conferência. E logo logo, o avião que me entregará aos céus do oceano e me levará de regresso a casa. A minha aldeia estará à espera e a chuva miudinha alternada por uns raios de sol e frio será o meu porto de abrigo durante os próximos meses.Esta manhã, ao olhar pela minha janela sem surfistas e com as ondas a crescerem rumo à areia, pensei que terrível seria podermos tomar conta do mundo, do céu e dos mares e termos a capacidade de controlar o tempo físico, misturando o temporal com o intemporal. E debrucei o meu pensamento sobre o conceito de liberdade e desse bem precioso e escasso. Um bem que não sabemos usar e reutilizar sem querer captar o que não nos pertence. O mesmo bem que é nosso e deixa de o ser e as barreiras que nos limitam o passo e a perna. E a divagação num lugar onde o local tem de se sentir e os pertences pertencem aos locais confundindo poder público com poder político, com utilização dos bens públicos com bens privados, um direito que é e já não é, enquanto houver gente que não sabe. Um bem escasso num país que, frequentemente esquece a escassez dos bens públicos, não os cuidando, não lhes atribuindo valor e onde o poder local é uma usurpação do que é de todos e com direitos e deveres iguais a outros bens económicos. Palavras que são elas próprias escassas para passar palavras de democratização e logo a seguir não confundir economia social com lamechices. Lugares onde a emoção não poderia tomar conta da razão mas onde por vezes não deixamos de o fazer. O menino que vende o que a mãe produz e que, mesmo sabendo, que estamos a alimentar um ciclo de economia paralela é muito difícil dizer não. O homem que partilha sentimentos de compaixão e que com a idade parece ficar mais brando e a querer esquecer a economia de mercado. Pessoas que nunca tiveram opção de escolha e outras que nem sabem do que estamos a falar. Economia e política em paralelo, numa tradição de anos de um e de outro sozinhos, em conjunto num só e onde é difícil explicar as leis de mercado que funcionam com ditadura e não funcionam em democracia e vice-versa. Economia que hoje está em alta tornando um país às avessas do resto do mundo, em expansão em momento de crise, para logo aparecer a pergunta do porquê do país em queda com o mundo em expansão. E as respostas da Europa e da América e da crise financeira e logo a seguir a falta de compreensão das perguntas sem resposta da corrupção. Foi há vinte anos e a Europa fez o que tinha de ser feito, reunificando aquilo que o Muro tinha separado. Para mim, é tempo de voltar ao meu tempo e pensar o meu país, a nossa liberdade, os bens do pensamento, a escrita e o que ainda é necessário para celebrar.
28/10/09
Teresina,Piauí
Áreas e sectores em desenvolvimento numa cidade com cerca de 800 mil habitantes, temperatura média anual 36°C ao dia e 23°C à noite.
Stop! Se é homem e está de bermudas, forget it. No Palácio Karnak não entra, só depois do expediente. Pode acontecer estar fechado, mas nada como voltar. 
Casa da Cultura a funcionar só durante a semana. Também quem são os curiosos que andam na cidade "que nem vento tem" ao domingo? O que a GJ inventa em viagem...
Gostava de entrar no Teatro 4 de Setembro e quem sabe assistir ao que está programado? Pois, a intenção até é boa, mas está interdito por falta de segurança, embora a programação continue "programada" ... Que a esperança nunca falte! 24/10/09
19/10/09
De marcha à ré para São Paulo
Dia a dia em São Paulo (Foto retirada da net).jpg)
17/10/09
Jóias e talentos do Piauí
"Há talentos que dignificam o Piauí no Brasil e no mundo, como é o caso de Kalina Rameiro que, através de suas bolsas e jóias, conquistou o Japão e de dona Maria da Conceição que junto com mais de 700 mulheres levou os bordados da Caatinga para São Paulo, Brasília, Itália, França, Estados Unidos e outros países."
Kalina Rameiro e ratos no Japão
14/10/09
Vozes com eco
O fim da primeira parte da minha estadia em São Paulo, começa aqui. A Estação da Luz, a 25 de Março e o Mercadão, símbolos duma cidade em que todos têm um lugar.
Apesar de ser fora do Museu que o idioma essencialmente se fala, é dentro dele que a língua se mistura com a sua origem cultural se ensina e se renova. Tem por objectivo dinamizar a importância do português no Brasil e orientar jovens, estudantes, professores e interessados em geral, na leituras de textos e de autores da lusofonia. Diversas exposições centradas no português têm lugar na antiga Estação da Luz que, neste momento, assinala em exposição os 120 anos do nascimento e obra da escritora Cora Coralina.
Algumas vozes mais conservadoras não consideram aquele espaço um Museu, mas apenas uma exposição. Para mim, foi o que eu estava à espera, ou seja, um espaço falante e interactivo entre o português de Portugal, o português do Brasil e o português Africano. Um Museu de português, com sotaques distintos e sem necessidade de acordos ortográficos para todos se entenderem. E como todos os espaços que não parecem museus, tinha gente e pessoas interessadas pelo que se lhes apresentava e que mais não era do que o respirar lusófono.

Quem vai para aquela zona da cidade, segue o trilho da 25 de Março. Aquele caos no meio da rua, num sábado de manhã, foi puro entusiasmo turístico e não me impressionou em particular. A segurança é, no entanto, quase total devido ao policiamento bem marcado. O aglomerado de gente a vender cuecas, meias, e diversos artigos de "marca" não é diferente das nossas feiras a não ser na dimensão. Nas lojas ou galerias de cada lado da rua podemos comprar por um terço do preço e com atendimento personalizado, mas mesmo aí, temos de ter muito tempo para escolher bem. E nesse caso, encontramos de forma mais confortável na Av. Paulista, algumas galerias de "marca" ao preço da chuva e sem tantos apertos ou perdigotos. Na verdade, tudo se repete como se estivessemos numa qualquer grande cidade em que as marcas se encontram no quarteirão seguinte, caso o comprador não a tenha visto no primeiro momento ou queira repetir a dose. A diferença é o tal do intangível valor intrínseco. O diabólico e glorioso empenho seria conseguir levar um dia, este público ao Museu sem artes ou artimanhas.
Mercado Municipal de São Paulo
O Mercadão mostra o tamanho do bolso de cada um. Entre frutas exóticas, carnes, peixes e bacalhau "do Porto", queijos e linguiças, milho, frutos secos, azeites e temperos diversos, as lanchonetes do pão com mortadela, o bolinho e o pastel de bacalhau, o sushi da moda e o choupe da ordem, fazem deste lugar um espaço onde todos podem saborear o tradicional e o desejável a preços democráticos. Do ponto de vista humano, é um lugar de mistura de sabores e de tradição étnica segundo a origem de cada um.
Enquanto esperava um lugar para me sentar as "moças" ouviram a minha voz e afirmaram. "Ela é portuguesa. Conheço o sotaque!". A conversa estava estabelecida e o lugar para me sentar garantido. "É só um instantinho e você se senta aqui. Tá bom assim?"
Claro que estava mais do que bom, no fim de contas, estavamos as três em casa e eu ia comer e beber o mesmo. Fiquei a saber que uma tinha família a trabalhar em Portugal, outra tinha enviado um filho para estudar. Vidas comuns de gente igual e com eco na fala.
Nota: Fotografias tiradas da Net



A cidade de Manaus celebra hoje 340 anos
