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04/03/11

A madrinha


Depois da visita à madrinha, Sócrates volta com a fantasia dos 4,6% do défice. No podium do BCE a subida das taxas de juro é eminente. O Carnaval começa hoje mas termina na próxima terça-feira. Quarta é dia de cinzas e  inicio da quaresma, só que eu não acredito que a Páscoa seja acompanhada de novas tréguas orçamentais. Antes disso, o governo vai lembrar-se que o domingo de ramos é por excelência o dia das madrinhas.

29/09/10

Os últimos

Agora dizem que fomos os últimos a tomar as medidas que os outros já fizeram há muito. E ainda não terminamos porque este é apenas o começo. Mas será que estávamos à espera de ser os primeiros?

08/01/10

Os Messias

Começam a surgir os aguardados Messias. Fernando Ulrich, Presidente do BPI apresenta o seu Estudo de final de ano. Como bom político em ascensão não apresenta linhas directrizes, apenas os factos, porque o resto virá no programa do Partido (leia-se PSD). Uma "combinação" início do ano que se apresenta e que o outro Presidente, o de Portugal, aprecia. Veremos quem são os senhores que se seguem. No entretanto, os economistas disponíveis para os lugares que chegam ao fim de mandato já se agitam com palestras e crónicas de jornal. É sempre um prazer ver Portugal a tocar baixinho tal e qual a guitarra portuguesa.

04/12/09

Desculpe, pode repetir?


Foi impressão minha, ou ouvi há pouco na Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira dizer que era necessário saber se a França está disposta a largar a PAC ? Estamos a falar daquela que esteve na origem do começo, dos primórdios, da comunidade entre os países europeus, verdade? A Política Agrícola Comum, 1962 certo?

09/11/09

Em Maresias a economia soube a pouco

Com o final da tarde veio o vento e mais tarde a trovoada e a chuva. Esta manhã em Maresias o tempo estava sombrio e a chuva fininha não convidava a praia nem antecipava sol. Da minha varanda vejo o céu a querer abrir, dizem -me que amanhã ou depois teremos outra vez sol. Nessa altura estarei a meio caminho do regresso a Portugal. Terei passado Santos, chegado a São Paulo e passado pela última conferência. E logo logo, o avião que me entregará aos céus do oceano e me levará de regresso a casa. A minha aldeia estará à espera e a chuva miudinha alternada por uns raios de sol e frio será o meu porto de abrigo durante os próximos meses.
Esta manhã, ao olhar pela minha janela sem surfistas e com as ondas a crescerem rumo à areia, pensei que terrível seria podermos tomar conta do mundo, do céu e dos mares e termos a capacidade de controlar o tempo físico, misturando o temporal com o intemporal. E debrucei o meu pensamento sobre o conceito de liberdade e desse bem precioso e escasso. Um bem que não sabemos usar e reutilizar sem querer captar o que não nos pertence. O mesmo bem que é nosso e deixa de o ser e as barreiras que nos limitam o passo e a perna. E a divagação num lugar onde o local tem de se sentir e os pertences pertencem aos locais confundindo poder público com poder político, com utilização dos bens públicos com bens privados, um direito que é e já não é, enquanto houver gente que não sabe. Um bem escasso num país que, frequentemente esquece a escassez dos bens públicos, não os cuidando, não lhes atribuindo valor e onde o poder local é uma usurpação do que é de todos e com direitos e deveres iguais a outros bens económicos. Palavras que são elas próprias escassas para passar palavras de democratização e logo a seguir não confundir economia social com lamechices. Lugares onde a emoção não poderia tomar conta da razão mas onde por vezes não deixamos de o fazer. O menino que vende o que a mãe produz e que, mesmo sabendo, que estamos a alimentar um ciclo de economia paralela é muito difícil dizer não. O homem que partilha sentimentos de compaixão e que com a idade parece ficar mais brando e a querer esquecer a economia de mercado. Pessoas que nunca tiveram opção de escolha e outras que nem sabem do que estamos a falar. Economia e política em paralelo, numa tradição de anos de um e de outro sozinhos, em conjunto num só e onde é difícil explicar as leis de mercado que funcionam com ditadura e não funcionam em democracia e vice-versa. Economia que hoje está em alta tornando um país às avessas do resto do mundo, em expansão em momento de crise, para logo aparecer a pergunta do porquê do país em queda com o mundo em expansão. E as respostas da Europa e da América e da crise financeira e logo a seguir a falta de compreensão das perguntas sem resposta da corrupção. Foi há vinte anos e a Europa fez o que tinha de ser feito, reunificando aquilo que o Muro tinha separado. Para mim, é tempo de voltar ao meu tempo e pensar o meu país, a nossa liberdade, os bens do pensamento, a escrita e o que ainda é necessário para celebrar.

27/08/09

Quem quiser que os compre

Quem quiser que os compre, porque eu já sei o que a casa gasta. Esta frase que o povo usa, tem como sempre, a sua verdade. Quem trabalha em organismos ligados à divulgação de estatísticas sabe que Setembro é a hora de lançar novas projecções. Ora em ano de eleições a coisa acentuasse. Logo em Julho, os responsáveis por algumas andaram a trabalhar horas a mais, para que os ficheiros tivessem a postos e ninguém tivesse de trabalhar que nem doido em Agosto para os números de Setembro. Este ano os dados fizeram sentir-se mais cedo e os funcionários foram chamados uns dias antes. "Está bem deputado, sim secretário, volto antes!" ou "Segunda aí estarei, não, não há problema, eram só mais uns dias de praia sem importância!"
A toque de caixa e de volta às secretárias, os dados têm surgido. Primeiro foi o IEFP a apresentar as estatísticas do desemprego por inscritos nos diversos centros. E aí estavam os que tinham feito o trabalho antecipado com menos desempregados por funcionário. Recordo que Évora tinha cento e qualquer coisa. Um número apresentável ao contrário dos crónicos centros de Amarante ou Braga que andava nos mil e tal. Quem anda nestas andanças também sabe que os centros com menos desempregados são aqueles que sabem gerir melhor os programas de formação para desempregados, diminuindo as estatísticas através da inserção dos jovens à procura do primeiro emprego em acções de formação ou melhor em estágios pagos 50% pela empresa e o restante pelos programas comunitários e os de longa duração por programas para encher o olho. Onde está o desemprego? Bem durante nove meses anda aí por uma empresa que de outro modo não empregaria o jovem. Nada tem de errado as empresas beneficiarem destes programas, porque todos ficam bem. O jovem recebe cerca de 900 euros limpos, a empresa paga o equivalente ao salário mínimo e o IEFF o restante. Durante o tempo de estágio tudo é uma maravilha, às vezes o jovem fica na empresa, só que vê o seu salário ajustado à realidade interna e que muitas vezes é inferior ao que vinha a receber.
Agora, vem uma candidata dizer que o Porto tem muita gente a viver de subsídios e o que é que ela propõe? Cursos, acções de formação. É o terciário a trabalhar com a ajuda dos fundos comunitários a todo o vapor. E para quê? Para que o povo tenha ocupação e verdade verdadinha para que as estatísticas do desemprego diminuam e as verbas façam mais bonito. Pois é, que ninguém se engasgue com a espinha do peixe que por aí nos querem vender. Por mim, fico-me pelas verduras que encontro no rio que apesar de tudo não andaram lá pelo Ave a despachar panos e fios para o parque da tecnologia que nem fios telefónicos podia ter.

26/05/09

Trocar ideias

A pergunta era "O que pode fazer de útil para ajudar a sociedade um grupo de jovens?". O jantar - conferência no Horta dos Reis era agradável, o conferencista interessante. Fui até lá e ouvi muita gente e vi um grupo de pessoas jovens umas mais do que outras empenhadas em "querer participar, em querer ser um grupo activo participativo a pensar e a estudar soluções e a incentivar a participação da juventude portuguesa nos assuntos sociais, políticos e económicos do nosso País, mediante organização de conferências e debates que se pretendam edificantes e com raciocínio crítico e independente."
A ideia não será original e a "Plataforma Pensar Claro" ainda estará em fase de orientação. Apesar de tudo gostei de ver jovens que apesar de se revelarem de direita são revolucionários como a esquerda, porque me indica que a sociedade mais jovem começou outra vez a pensar e a querer intervir e isso para mim já é o começo. Gente amorfa e sem opinião ou que não esteja sequer interessada em pensar já temos que chegue. O tempo dirá se este grupo perde a vontade e se morre cínico à nascença. Espero que não, todos são bem vindos desde que sejam capazes de pensar e agir em conformidade.
Do conferencista guardei a seguinte frase por me parecer pertinente no tempo, na hora e no argumento.
"Se dizem que os portugueses são idiotas, eles não podem escolher os governantes." - Pedro Arroja, 21-05-09