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21/12/11

Avó e Netos


O mar enrola na areia - Jorge Palma

09/11/11

We are the champions by Mariana


KCL Charity Diwali Show @ The Olympic Torch Relay.mov

08/12/09

Solidariedade

30/05/09

Harley Davidsons em Cascais


Vai ser no sábado em Cascais e é por uma boa causa . A Brigitte está aqui porque a imagem é apropriada, a letra da canção nos dias de hoje nem tanto. Mas vamos esquecer o politicamente correcto e deixar falar esta iniciativa do Clube Harley Davidson. A paixão pelas máquinas também pode contribuir para um melhor cantinho para todos.

15/04/09

Dar e receber

Imagem retirada da Internet

The Salvation Army , USA - Donation

10/04/09

Tempo de Quaresma

Tive, como a maioria dos portugueses, uma educação religiosa com todos os actos litúrgicos que o dever ou a fé assim o exigiam. Comecei pela Catequese, seguida da Primeira Comunhão, da Profissão de Fé, do Crisma e de vários retiros que basicamente serviam para encontros entre jovens da mesma idade supervisionados por um padre de preferência moderno e uns tantos leigos que serviam de ajudantes. Naquele tempo ir à Missa era um assunto sério para os mais velhos, pais e avós, e um divertimento para os mais novos. Não me parece que alguém pequeno fosse à Missa por fé mas apenas pelas cores, pelo cheiros, pela música e pelos rituais revestidos de misticismo.
Assim, desafinei no coro da Igreja, tive namorados, fiz escapadelas ao Cinema Império e amizades que ainda hoje mantenho. Conheci gente que passava por casa dos meus pais como Bruto da Costa ou Vassalo e Silva e aprendi que era importante olhar para as pessoas, aprender a gostar delas e dedicar-lhes algum tempo. Visitei hospitais e fiz companhia a gente idosa, participei em Vendas de Natal e ainda hoje tenho histórias para contar. Depois, havia outras coisas igualmente interessantes. Os sacerdotes que enchiam as Missas estão hoje quase todos casados, o que deverá querer dizer alguma coisa. Os grupos de intervenção e acção social considerados pouco recomendados para filhas de família, como a JOC (Juventude Operária Católica) estão dispersos o que também deve querer dizer bastante. O cerimonial religioso associado à Quaresma não atrai muita gente e a Missa de Domingo de Páscoa muito menos. Apesar de também eu ter deixado de aparecer, continuo a recordar com gosto as Igrejas vestidas a rigor, a Procissão do Senhor dos Passos e as varandas que se enchiam de colchas e ornamentos, significando respeito e recolhimento, paixão e redenção. Se era pela fé, pela tradição ou por obrigação não sei, mas tenho pena que não se continue a fazer esta paragem, tal como tenho pena que este tempo se tenha tornado, a exemplo de outros, apenas de guloseimas e sol e muito pouco de reflexão e compaixão.

03/04/09

Uma jóia adequada

Um amigo quis oferecer-me uma gema, logo depois um brilhante e escolheu uma pérola que lhe estava acessível.
Para retribuir à altura, parti em viagem e encontrei o que me pareceu uma jóia adequada. Playing for change around the world!


Playing For Change: Song Around the World "Stand By Me"

14/01/09

Haiti (III)


As pessoas, os cheiros e os sons de um país é o que melhor guardo na memória já que as cores fazem parte do colorido natural dos meus olhos. Calculo que é o que nos faz mais falta quando estamos longe dos lugares de que gostamos. Circular ou andar a pé no mês de Agosto não era fácil. Miúdos e graúdos procuravam esconder-se do sol e os estrangeiros encontrar um local com ar condicionado. A imaginação e a boa fé dos habitantes ensinava e ajudava a encontrar alternativas.
A Catedral de Port-au-Prince era um dos locais mais frequentados entre as 14 e as 16 horas. Era calmo, fresco e privilegiado para o momento da meditação, vulgarmente conhecida por sesta.

Se durante o dia era sol e calor respirado e misturado em recantos onde as galinhas corriam, as crianças brincavam e as mulheres se lavavam em água macilenta, com o cair da noite fogareiros à porta das casas, traziam os cheiros que antecipavam petiscos e temperos que me lembravam carqueja e outras coisas desconhecidas. Bem perto, a música, os risos e a algazarra à volta do alumínio dos pratos fazia-se ouvir. Ao longe e de tempos a tempos, alguns tiros também. Sons perdidos numa cidade que no dia seguinte nada tinha a contar, apenas pequenos desacatos que os jornais relatavam e os dissidentes políticos reclamavam.

A cidade transformava-se com o cair da noite. Os morcegos rondavam as palmeiras e as águas duma piscina que não chegava a arrefecer, os mini lagartos e lagartixas gigantes, os mosquitos e as baratas voadoras faziam parte daquelas noites quentes e húmidas com trovoadas que me assustavam mas que divertiam e animavam os meus novos amigos. A chuva depois da seca é uma autêntica festa crioula. A esse propósito, um dia estava num restaurante quando desatou a chover e um homem entrou correndo e esbracejando. Falava o que eu não entendia, chamava os outros para irem ver qualquer coisa que eu não sabia, e foi nesse momento que me dei conta que era a única pessoa branca naquele local. Por momentos senti receio, e pensei nos que me tinham avisado sobre a tontaria da minha visita ao Haiti, para logo todos nos rirmos porque afinal era a chuva o motivo do estardalhaço!
Recordo o dia, em que estando no quarto, vi "uma simples e pobre barata voadora" e telefonei para a recepção dizendo o que me veio à cabeça "J'ai un animal dans ma chambre!" passados uns minutos apareceu um empregado com caçadeira... a partir daí passei a ser motivo de divertimento "la dame qui avait un animal dans sa chambre..." diziam e riam com benevolência.

Não era difícil ser conhecida num hotel que tinha como hóspedes os três professores da Universidade Canadiana e os próprios donos, família de longínqua origem alemã, mas há muito radicada no país, que lá vivia com os seus filhos e que rapidamente me convidou para o seu recanto. Fiquei a saber que borboletas gigantes no cimo da porta tem significado de bom ou mau agoiro, e conheci uma das maiores colecções de pintura que um particular pode possuir em casa. Tive a sorte de me oferecerem uma peça que guardo aqui ao meu lado.

Não havia também dificuldade em arranjar pessoas para tomar conta da minha filha, a dificuldade era saber quem é que o tinha feito, porque todos levantavam o braço quando questionados sobre o trabalho de babysitter. Aprendi também que era escusado perguntar quem é que tinha feito isto ou aquilo, porque a resposta era óbvia. No caso do tomar conta, é claro, que eram todos. E foi aí que deixei a maior parte dos dólares que levava. Mas também foi durante essas alturas, em que à noite, limitada pela minha acompanhante de três meses, passava muito tempo no hotel e conversava com os empregados. E se eles tinham histórias!

Preocupavam-se com as doenças como a cólera que matava um filho, mas que também deixava mais comida para as outras bocas que havia em casa para alimentar. Esta racionalidade não é compreensível para um europeu ou para alguém que viva em abundância. Tal como não é compreensível que para comprar tabaco o táxi nos leve à gare marítima, buzine e do nada apareçam magotes de crianças que nos atiram para dentro do carro pacotes de Marlboro, e que sem percebermos o carro fica cercado e o dinheiro é disputado por mãos que já ninguém sabe de quem são. E enquanto o carro desaparece, aquelas crianças lutam e gritam e o taxista ri e nós choramos por dentro.

E com a noite chegam às portas dos hotéis, mães que acompanham e oferecem filhas, algumas ainda crianças, mas que são a recompensa de mais um pão no dia seguinte. E a naturalidade do acto torna difícil o nosso julgamento reprovador.
E todos têm histórias e experiências de voodoo e conhecem gente que virou zombie. E têm medo! E se à noite a conversa no hotel era uma, durante o dia a conversa à volta da piscina era feita pelos familiares do pessoal diplomático ali estacionado, por um ou outro conhecido dos donos que utilizavam a piscina para lazer e também alimentavam algum favorecimento local. E as conversas que falavam da pobreza alheia, com desdém, também ensinavam os locais de compra geridos por marcas francesas e estrategicamente, localizados junto das casas dos brancos, para não parecer mal. Quem chega de cor branca a um país de pele maioritariamente escura, tem vergonha de mostrar riqueza. Com o tempo imagino que tudo se resolve e o branco e o preto entram apenas na noção de opostos mas iguais, desde que possam comprar nos mesmos sítios e lugares, o que no Haiti não era, nem é o caso.
O Haiti que eu conheci, já vivia abaixo do limiar de pobreza mas ainda não era o lugar de hoje. Era, apesar de tudo um país de gente corajosa, que não pedia esmolas, que tinha orgulho nos seus, que acolhia o visitante o melhor que sabia e que me deixou uma enorme saudade e também o sentimento de impotência perante aqueles que me continuaram a escrever cartas de duas linhas a pedir ajuda e auxílio para saírem dum país sem futuro.

Gente, que um dia na sua simplicidade me explicava como comer o seu fruto preferido: "Tu prends le mango, tu cherches le couteaux, tu coupes le mango et tu manges en petits morceaux, comme çá! Tu vois? C'est très simple!"

05/01/09

Haiti (II)

A chegada ao Aeroporto Internacional de Port-au-Prince teve o impacto do calor, do caos e da transpiração que eu iria viver durante os próximos tempos. Parte das malas não chegaram e até aqui nada de novo para quem viaja, a novidade estava reservada para dois ou três dias depois quando feita a viagem de ida e volta com a mala em meu poder, o militar de serviço me sugeriu que o dinheiro lhe daria jeito... Nestas coisas temos o visitante e a mala dum lado, o oficial e a arma do outro, vence o segundo! Esta foi a primeira lição do que percebi ser um nível de corrupção que eu não conhecia. Na época, o Haiti tinha no poder Jean- Pierre Duvalier "Baby Doc", filho de "Papa Doc" anterior Presidente.

O Palácio Presidencial branco e imponente estava munido de arcas frigoríficas para conservar os casacos de pele da primeira dama. A visita ao Palácio era feita de forma a mostrar a grandiosidade dos seus governantes e o luxo das desigualdades. Durante todo o período tive ao meu dispor um segurança que hoje sei que foi fundamental e que na altura me parecia uma extravagância da entidade universitária. Chamava-se Dernier BonHomme e tinha este nome por ter sido o último filho daquele pai. Ele próprio tinha vários filhos e transportava a minha como se fosse um objecto de ouro. Todas as manhãs estava à porta do Hotel para me acompanhar ou apenas, para ficar à minha disposição para o que desse e viesse. Como ainda não estava habituada aos rituais africanos eu achava que era uma imposição tola, mas a seu tempo voltei a conhecer a gentileza e a subtileza do meu acompanhante, ele nunca se intrometia.

No mercado ia à frente abrindo fileiras, olhava à distância com aquele olhar africano que, sem darmos conta, nos observa e protege. Certificava-se que o preço era correcto, se não me aborreciam os vendedores, se as duas estávamos em segurança.
O preço correcto é um eufemismo que não tem significado num país onde gastei mais dinheiro em gorjetas do que em compras ou serviços. Um país que vivia do turismo e que estava "às moscas" porque deles corria o boato que eram os responsáveis pela Sida.
As condições de trabalho eram razoáveis e até havia ao fundo da sala uns "senhores de fato" que de facto apenas ouviam e observavam o que ali se dizia. Duvido que fosse para aprender conceitos de gestão ou economia!

(continua)

Haiti (I)

As fotografias podem ou não fazer justiça a quem lá fica, mas a lente do fotógrafo tem sempre um objectivo. Neste caso, a fotografia de Alice Smeets teve o Prémio Unicef, atribuído à melhor Fotografia Internacional do Ano de 2008.
"People live unprotected in stinking and burning waste, without work, without reliable sources of energy, without drinkable water, without clean air to breath, without money for their next meal. In the hovels the poorest of the poor resort to eating dirt simply to fill their stomachs. In a setting like this, a little girl in a white dress seems to be a frightened angel that finds itself in the underworld and nevertheless determined to fight for a little bit of beauty."
Photo: Alice Smeets, Belgium, Out of Focus

Esta não foi a prémio, é apenas uma fotografia tirada do quotidiano de um mesmo país, de uma mesma sobrevivência, de mais um dia de trabalho e de negócio!

Foto: Subúrbios de Port-au-Prince

E agora, quem limpa a lágrima duma cara bonita e de olhar intenso e que protegida pela face semi-oculta da mãe, irá seguir o caminho de tantas outras a menos que a linha da vida lhe tenha designado outra sorte?

Foto: Chorando em Port-au-Prince, Haiti

Em Julho de 1984, cheguei a Port-au-Prince, com uma das minhas filhas, que na altura tinha três meses. Contrariando amigos e conhecidos, poderíamos ter uma espécie de semi-férias ao abrigo de um Protocolo entre uma Universidade do Canadá e a Universidade de Port-au-Prince, no Haiti. Seria possível acumular aulas, praia e recompensa financeira durante um periodo de dois meses. Quem parte para um país, numa época em que o vírus da Sida se manifesta em toda a sua pujança e em que o mal da doença é atribuído aos emigrantes haitianos residentes na América do Norte, não esquece a experiência, o povo e o país, a fotografia e a realidade das imagens.

"This glimpse of how hell could look, overwhelmed the young Belgian photographer, Alice Smeets, on her first trip to Haiti. The more time she spent in the country, however, the more this feeling eased, to be replaced by compassion and a strong desire to use her photography to raise awareness for the oppressed and humiliated. " (Unicef, Photo of the Year International Award, 2008)

(continua)