08/10/08
07/10/08
Galardoados com o Nobel
Medicina encontra os seus Nobel, na Europa e, porque cada vez mais tudo se faz em equipa e já não existe "O" mas sim"Os", o Prémio foi atribuído em parceria a Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier, pela investigação e identificação do virús HIV. Harald zur Hausen, pela investigação e identificação do virús VPH.
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King's and Guy's
Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984, faz hoje 77 anos. Tutu é um dos "guys" que passaram pelo King's College. Tutu é referência para todos os estudantes que frequentam a Universidade de Londres. Entre King's e Guy's todos credenciam a Instituição.
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As mil e uma noites em versão camarária
Ainda a propósito das notícias sobre as Mil e uma Noites em casa emprestada pela CML, importa reler Eduardo Pitta em AS CASAS DA CML, 7 [E AS OUTRAS] .Também no DN, Fernanda Câncio trazia uma crónica interessante sobre a sua interpretação do tema. Dizia a jornalista, e bem, em relação a B.B. (Baptista - Bastos), que este apenas se limitou a ver um direito de cidadão cumprido, num momento em que se encontrava desempregado, com filhos para sustentar e a residir numa casa degradada em Alfama. A casa em que Baptista - Bastos residia tinha fissuras, estava sem condições de habitabilidade e B.B. apenas se limitou a reclamar obras de benfeitoria. A Câmara entregou-lhe nova casa que ele sempre pagou e não recusou as correspondentes actualizações das rendas. Estou de acordo, que B.B. não deve ser penitenciado por ter reclamado e aceite. Mas eu também penso, que apesar de B.B. ser um cidadão residente em Lisboa e com direitos iguais a todos os outros que aí vivem, ele não tem sido ao longo da sua vida um cidadão qualquer. Ele é jornalista, ele tem o hábito de comentar e apresentar casos criticáveis, a ele se deve a célebre frase "onde é que tu estavas no 25 de Abril" significando que ao contrário de muitos ele estava em plena luta democrática, ele é escritor, ele é um intelectual e comentador televisivo, entre outras actividades ligadas à cidadania. Assim B.B. por muita razão que possa ter, e por muita consideração que se possa ter pela situação eventualmente precária que detinha nessa época, dá vontade de perguntar agora "Olha lá, a casa em que tu estavas antes e depois de Abril era do tamanho de que político?"
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Vai tudo pelo cano abaixo
A economia da Europa não está nada bem! Nós já sabíamos isso, mas parece que cada dia que passa, jornais, políticos, comentadores e outros se apressam a contar a mesma história, porque apesar de serem várias elas - as histórias - terminam sempre da mesma maneira: "isto está muito mau, e a crise vem aí." Quer dizer, a crise está aí ou aqui há muito tempo, quem anda no mercado sabe que as encomendas baixaram, que os clientes não pagam ou que estão a pagar a 240 dias, que os fornecedores têm dificuldades em cumprir prazos de entrega pela simples razão de que não têm capacidade de negociação, os preços são elevados pela mesma razão, o crédito malparado é coisa de todos e não apenas da banca, que o endividamento é de todos e não apenas de algumas famílias. Por isso não é de admirar que esse grande projecto, aposta de governos e governantes, grande reflexo da "nossa entrada na Europa" como se disse na altura, esteja a correr perigos. A Autoeuropa vai parar a produção de mono-volumes VW Sharan e Seat Alhambra por falta de encomendas. A fábrica já tinha parado a produção no mês passado por falta semelhante. A produção que se destina ao mercado espanhol está em queda e Portugal vai atrás. A maior preocupação da fábrica são os 40% de encomendas do desportivo VW Eos que se destinam aos EUA. E a fábrica continuará a parar em Novembro e Dezembro, ou seja todos os meses. E o desemprego não tardará, apesar de nos quererem adormecer com palavras para embalar meninos "...é um indicador de crise, apesar de se tratar de uma medida sem risco de despedimento, encaixando-se no banco de horas da fábrica" (António Chora, ao Público).Nós já sabíamos que a União Europeia tinha muitos frutos, acontece que a maioria das pessoas estava convencida que pelo meio só havia alguma fruta pisada, mas acontece que ela parece estar a ficar completamente apodrecida. E quando a fruta está neste estado, qualquer dona de casa sabe que tem duas hipóteses: ou faz uma saladinha ou deita tudo pelo cano abaixo. Pois é o que está a acontecer à Europa, a salada parece que já deu o que tinha a dar, e neste momento cada um compra a sua fruta isoladamente e quer dinheiro novo à vista. A questão é sabermos que dinheiro, e quem dá o primeiro passo para atirar tudo pelo cano abaixo.
02/10/08
Ricardo Arroja debate plano Paulson
O Ricardo Arroja esteve ontem, num debate, na televisão. Gostei de ver o Ricardo e de o ouvir. Apesar da sua juventude ele soube estar à altura do tema que neste momento preocupa o Mundo. A crise não é apenas norte americana. A crise é de todo o mundo e como bem explicou o Ricardo a quem parece que já chamaram comunista, a aprovação do plano Paulson e respectiva intervenção na economia americana são o começo não para resolver a crise, mas para começar a arrumar a casa. Arrumar a casa é um termo muito português, quando queremos dizer que vamos passar à frente. É que não sei porquê, mas sem a arrumação as coisas encanitam. Em Portugal, a casa está muito desarrumada, mas o nosso Primeiro continua a dizer que "os portugueses podem estar sossegados porque as suas poupanças não estão em risco". O risco é nós não termos poupanças muito em breve, se é que elas ainda existem. O endividamento das famílias manifesta-se todos os dias nas coisas básicas e não tarda que seja mais do que básico que temos de estar muito desassossegados.
O Ricardo esteve bem e fez-me lembrar um professor que eu tive há já longos anos na faculdade. Directo, com um discurso à medida, tecnicamente bem preparado, bom comunicador e a transmitir confiança. E para além disso bem apresentado, por que não dizê-lo ?
Só tinha um senão: o nó da gravata estava torto, mas isso é mesmo um pormenor que faz parte das contradições que só um elemento feminino poderia dizer - um assunto tão sério e sai uma frase destas. É que esta "casa" seria demasiado aborrecida se não tivesse este toque contraditório. Parabéns ao rapaz que merece continuar a aparecer nos debates deste país, depois de já se ter iniciado noutras cadeias televisivas.
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