Mostrar mensagens com a etiqueta Jóias à portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jóias à portuguesa. Mostrar todas as mensagens

01/09/08

De regresso ao trabalho, penso...

De regresso ao trabalho, penso em Carlos Malheiro Dias e que dele pouco sabemos, apenas que deu nome a ruas e em breve a Edifício na Invicta. Penso também, que muito poderíamos enriquecer se as Autarquias e as Escolas de diferentes regiões dessem mais tempo aos conterrâneos que por razões diversas nos dão orgulho em ser português. Esta raça de portugueses que a outra raça não quer saber de onde vem, o que fizeram e o que deixaram.
Penso, que os alunos teriam outro prazer em ler autores identificados pelo lugar onde nasceram, teriam outro gosto e curiosidade em visitar exposições ou museus com o nome de alguém que deixaria de ser um desconhecido escritor, para passar a ser um "escriba" que nasceu na minha terra ou na minha cidade. E seria bom, que eu miúdo nascido na aldeia, pudesse dizer que Amadeo-Souza Cardoso nasceu no meu sítio, ou que Fernando Pessoa é da minha cidade ou que Eunice Muñoz vivia na minha rua e tomava café no "Cenáculo". Até porque no tempo em que todos sabíamos o nome da dono do café, do senhor da mercearia ou da dona da tabacaria era o tempo em que as pessoas tinham valor, nos representavam, nos valiam e nos davam inspiração para continuar o projecto que o Cliente reclama.

24/06/08

Perspectivas de ocasião

Passada a ocasião das festas populares, volto às jóias do meu país. Revejo notícias e protagonistas. "Perspectiva" é uma publicação gratuita distribuída mensalmente com o jornal Público. Leio que foi inaugurada a fábrica Swedwood em Paços de Ferreira. O ministro Manuel Pinho esteve presente e "deixou uma mensagem de tranquilidade, grande optimismo e apelo à inovação". Acrescentou até, que "estas iniciativas são o "espanta espírito" para o clima de crise que se está a instalar". Eu presumo que Manuel Pinho se está a referir à região, a Portugal ou aos dois, mas fico na dúvida. Pego no Expresso e vejo o mesmo ministro no Primeiro Fórum Empresarial da Região de Aveiro, referir-se à conjuntura económica internacional "o que nos espera agora é ainda pior" e sublinha que a situação actual é mais grave que a vivida nos últimos três anos. No meu espírito, o meu país está há muito a viver em crise, o meu país há muito que pertence ao espaço internacional e o consumo das famílias portuguesas voltou a descer no mês de Maio. Por muito que eu tente, não encontro "espanta espíritos" para esta questão. Fico à espera que o mesmo Manuel Pinho encontre outra ocasião a jeito e mais à feição para me esclarecer se esta é uma questão de perspectiva, de ocasião ou de interpretação.

21/05/08

Líricos e bem intencionados

O problema é que damos pouca atenção às notícias que aparecem em letras pequenas. A 3 de Maio, o Expresso saudava a iniciativa do Ministro da Economia ter pedido a intervenção da Autoridade da Concorrência na questão dos combustíveis. Ficaríamos a saber se, e de acordo com as palavras de Manuel Pinho, "os preços estão a ser formados com toda a transparência". Finalmente, os noticiários abriram hoje, dia 20 de Maio com grande destaque, o Presidente da República mostra-se preocupado com a situação dos diferentes operadores de transporte aéreo e terrestre e está satisfeito por Manuel Pinho ter pedido a intervenção da Autoridade da Concorrência. O Presidente pensa que se o ministro tem dúvidas é porque se deve passar alguma coisa. Excepto aqueles para quem o significado de cartelização ainda quer dizer alguma coisa, vamos tendo memória curta.

Os economistas bem têm vindo a alertar há vários meses, durante o último ano, durante o ano anterior ao último ano e por aí fora. E o que andam os portugueses a fazer? Esquecidos no seu dia a dia, vamos todos cantando e rindo e esperamos que seja passageiro, que não seja nada connosco, como se Portugal estivesse longe e aquém de todas as consequências da nossa integração europeia. Os portugueses ainda pensam que a Europa é uma coisa e Portugal outra. Os Portugueses ainda estão convencidos que o ministro tem poder para ditar o que quer que seja. Os Portugueses são curtos de memória e pior ainda, são uns líricos bem intencionados.

11/03/08

Observatórios em grande forma

Olhem só, dizia eu aqui há uns tempos que os portugueses gostavam de observar e que havia Observatórios para tudo. Mal sabia eu, que vinham mais uns tantos a caminho. No Público de 9 de Março, vejo uma pequena caixa disfarçada até porque o tema vinha a propósito. "Criminalidade: Observatório em Lisboa e no Porto" A notícia continuava falando da criminalidade juvenil nas áreas metropolitanas das duas cidades e concluía "a criminalidade vai ser avaliada por um observatório que começará a funcionar dentro de algumas semanas..." Pensei: muito bem, lá vamos nós observar.
Ontem, dia 10 de Março ao ler as notícias diárias no mesmo jornal, tomei conhecimento, agora já em tamanho maior porque o tema exige, da seguinte notícia::"Governo cria Observatório para a Emigração em Abril". Fiquei a saber que a partir de Abril e em parceria com o Instituo de Ciências Sociais vamos observar "a realidade da emigração portuguesa". Fiquei também a saber, que o Observatório vai "obter informação sobre a quantificação dos portugueses em cada país, mas também as motivações que os levaram um dia a sair ou a forma como se encontram ligados a Portugal".
Estou mais descansada, agora é que finalmente vamos saber por que é que os portugueses emigram. Curiosa, vou seguir atentamente os resultados dos dois grupos observadores. Ah, não percebi quanto tempo vão ter os Observatórios para observar, mas se for como a minha jóia anterior do desemprego, vamos ter muito tempo. Vai ser uma observação e pêras!