Uma vez por semana vou buscar a minha neta Francisca ao infantário, passamos uma belo fim de dia juntas e fazemos aquilo que faz parte dum despreocupado programa avó-neta. A rotina é um bom principio de aprendizagem e através dos alimentos vamos aprendendo, eu a conhecer os seus gostos, ela a reconhecer os sabores. Numa das últimas vezes calhou o jantar ser carne de porco. A Francisca gostou muito e perguntou várias vezes "o que é isto, vovó? É cáne?" Fui respondendo, mostrando o animal num livro, falando das várias partes que comemos e satisfazendo a sua curiosidade. Passado uns dias, chegada a hora da refeição a Francisca perguntou se ia comer porco e perante a perspectiva do peixe e do peru noutra ocasião, a minha neta insistia em querer comer o dito.
As crianças são de manias e gostam de ser teimosas por isso não liguei, mas eis que surge o tal filme para finlandês absorver e aí, eu pensei - será que em vez do Noddy a minha neta anda a ver outros videos ou posso afirmar que ela é uma verdadeira portuguesa?
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16/05/11
27/11/09
Emigrantes por defeito ou opção?
Quanto mais tempo estamos no nosso cubículo mais chatos nos tornamos. Seja em casa junto da família, no emprego junto dos colegas, na paragem do autocarro junto dos outros utentes, na carruagem do metro, na pastelaria da esquina que frequentamos diariamente e onde esboçamos um sorriso forçado. Todos nos parecem uns aborrecidos idiotas e nós uns ilustres sábios continuamos a massacrar quem temos por perto. Os políticos e os programas de televisão não fogem à regra e até já nem nos blogues nos livramos de aborrecer quem nos lê. Olhamos para o nosso umbigo, dentro do cubículo que se tornou o nosso dia a dia e a porta do nosso país continua fechada a pessoas com outras características e talvez, quem sabe, capazes de trazer outra cor, outros motivos e outras histórias mais alegres, soltas, e de maior dimensão e está cada vez mais ampla e aberta a todos os que decidem encontrar lugar , emprego ou alegria noutro espaço. Tudo nos parece pequeno, tudo é grande aos olhos de quem é pequeno e tudo vai continuando conforme o nosso pedaço de humor. Sei que não é fácil ultrapassar esta tarefa, que à portuguesa herdamos e onde sempre tropeçamos. A saudade do que já foi, o que é e podia ter sido, que não nos larga e consome por tudo e por nada. Pergunto, para que servem as entrevistas a pessoas que não nos esclarecem, as reportagens de assuntos já ressequidos e que tresandam a esturro, mesmo que pelo meio esteja a senhora que perdeu o dinheiro numa instituição e que agora se senta ao relento numa avenida da cidade, greve de fome, diz ela, Quimonda fala ela, enganada e desempregada, expectativas frustradas acrescenta. Mas pergunto eu, ainda alguém liga a estas acções de voluntarismo sem jeito? E o resto que continua, agora é face oculta , amanhã cara alegre, e todos continuam à procura do "ninguém" que tem razão. Pobre país o meu que continua à procura de quem lhe diga onde se encontra o paraíso e só procura emigrar!
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30/06/09
Dez anos de valores em Portugal
O Público divulga hoje uma análise comparativa sobre os valores pessoais e sociais dos portugueses face a dados de 1999. Portanto, dez anos depois e partindo do princípio que o método de amostragem com grau de confiança de 95% e desvio-padrão de 2,75 é fiável, foi colocada a seguinte questão:"O que é mais importante para a maioria das pessoas que conhece?"
Das 937 pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 65 anos que responderam ao inquérito resultaram os seguintes dados:
Do total de inquiridos 39,1% considera que "ser rico" é a coisa mais importante, 31,3% "ter boa posição social", 30,6% "ser honrado", 27,5% "ter influência/ poder", 26,9% "amar e ser amado", 24,1% "ser famoso/ter prestígio", 22,5% "ser profissional competente", 22,3% "ajudar os outros" e 13,2% "ter fé".
Assim a olhómetro o que me saltou à vista, foi que ser rico, ter boa posição social e ter influência/poder não ter nada a ver com querer ser um profissional competente. Mas, ser honrado parece que ainda é coisa com valor. Perder tempo e feitio com a fé só 13,2% e ajudar os outros....já tivemos melhores dias.
Estamos mais individualistas e também mais tolerantes e temos menos preconceitos. Mas o que gostamos mesmo é de paz (66,6%), liberdade (58%) e justiça (45,8%). Harmonia social? Uns 11,8% e já vamos com sorte.
Tudo valores que a sociedade portuguesa, pelos vistos preza e que os políticos pouco têm privilegiado. Talvez não fosse pior olhar para alguns inquéritos antes de saírem as primeiras sondagens de intenção de voto para as legislativas. Pode ser impressão minha, mas a Justiça anda mal, a Liberdade depende do conceito e não percebo como pode haver tanto empenho na Paz e tão pouco na Harmonia Social, para já não falar nos ideais que, enfim, já eram! Pela família, 87,4% está disposto a morrer, pela pátria? 28,2%. Por causa política 3,2% e curiosamente 12,8% diz que morria pela sua religião e que representa basicamente os mesmos que consideraram que a fé valia 13,2%.
Este último dado ou não faz sentido ou é preocupante. Por outro lado, significa que os inquéritos e os métodos de amostragem estatística valem o que valem.
O que nos interessa é a qualidade do povo. Um povo que não sabe não pode responder direito, o seu voto não deveria ter o mesmo valor e é por isso que muitos se abstêm de votar, porque não sabem em quem. Como felizmente vivemos em democracia, haverá formas de ensinar quem vota a saber escolher com conhecimento e convicção e com poder e razão. E a quem se entrega esta função de ensinar? Aos políticos sem qualquer dúvida, através do exemplo e da seriedade, à sociedade civil através de intervenção cívica, social ou religiosa. Não quero concluir que temos o país que merecemos, mas quando aceitamos sem um piscar de olhos barbaridades, aldrabices, desonestidades, vigarices e outras situações que nos deveriam incomodar, a única palavra que me vem à mente é cidadania falhada e não derrota da democracia como muitos querem fazer crer.
Nesse sentido, o inquérito "Dez anos de valores em Portugal" que é hoje apresentado no seminário "A urgência de educar para os valores" deve merecer atenção e leitura sem preconceitos, mesmo se a principal questão de fundo tenha por base valores morais e/ou religiosos.
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12/03/09
03/03/09
Olha o guito, Barreto!

A malta cá da terra tinha umas poupanças mas atenção que não somos ricos, portanto não andem para aí a dizer que lá porque entregamos o dinheiro a um banco que era apenas pequeno e de investimento, somos ricos. Não, nada disso os depósitos a prazo que na verdade não eram a prazo mas de capital garantido com retorno absoluto, eram em média de 200.000,00 euros. E os bancos de investimento dos ricos são coisa diferente, aceitam valores muito superiores e isto não era para a maralha e agora não venham com tretas de gente rica a querer ter a devolução do que perderam. Os ricos têm cultura em geral por isso depositaram em bancos grandes que garantem o dinheiro. Agora a maralha só tem "coltura", a maralha também não percebe nada de contratos, que aliás não lê, nada percebe dessa história de spreads, investimentos curtos, longos, com risco, sem risco e a maralha o que quer é o seu juro e esse era bem gordo e chorudo. Só que o pobre costuma desconfiar da fartura e neste caso não quis saber. O que quis foi ter e ser igual aos outros tansos que acreditaram que a banca não enganava. Cultura financeira vamos ter a partir de agora, por sugestão da dra. Fátima da televisão que vai pedir à dra Maria de Lurdes do ministério que inclua essa disciplina no secundário. Aliás muito mais interessante do que outras disciplinas das quais os alunos estão mais do que fartos de ter e onde nada aprendem, pelo menos com esta vão aprender a não ser ursos e a ler tudo o que lhes puserem à frente. E também que em vez de acreditar nas instituições per si devem questionar os conselheiros da banca. E já agora ter a certeza que a rapaziada sabe do que fala.Quem não precisa nada disto porque já nasce ensinado, e tem olho vivo é que se tramou. Daí que o Barreto sendo um homem importante e viajado, com o dinheiro ganho pelo suor e com a enxada a ajudar, tenha ficado aflito quando a maralha que lhe entregou as poupanças começou a telefonar lá dos países evoluídos. "Ó Barreto tu vê lá do guito, pá! Dizem que os bancos andam para aí a perder dinheiro a torto e a direito, tu vê lá Barreto que a malta está aqui emigrada e confia em ti!". E o Barreto ficou assustado e aproveitou a boleia e toca de contar a sua história. Eu gostei do Barreto, mas o que já me está a enervar é esta recente necessidade e falta de tato de colocar nos programas de"gente fina para seus iguais" os uns e os outros, cultura vs "coltura" e querer ensinar a maralha com ares de sabedoria mal aprendida tratando-nos a todos como maralha. O debate transforma-se num cine falcatrua com actores feitos à pressa e eu não gosto, "prontos"!
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06/02/09
Dar à sola
Uma das principais características dos tempos é que em Portugal quando um português está apertado ou é dos sapatos ou é da saúde. O problema é idêntico porque se é do sapato o melhor é escolher com mais cuidado para a próxima, se é da saúde a questão pode ser de diferentes especialidades. Pode ser um assunto da medicina, pode ser da falta de dinheiro, pode ser do aborrecimento diário, pode ser da verborreia cerebral, pode ser do tédio que as notícias nos dão. Em todos estes exemplos existe uma solução muito simples e que dá pelo nome de "dar à sola". E neste caso, pode significar um fim de semana fora, pode ser emigrar, pode ser virar as costas, pode ser encontrar novas ideias, mas é sempre caminhar. E para caminhar nada como uns bons sapatos. Escolha e compre calçado nacional cá dentro, mesmo que tenha de ir a Paris, Londres ou Nova Iorque arejar. Bom fim de semana!
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19/11/08
Busilis II
"Para conhecer os Portugueses é preciso compreender os Nirvana, Fernando Pessoa e a Igreja Católica"(Monteiro Enes)Monteiro Enes era uma pessoa estranha, de tal forma estranha que a primeira vez que o vi imaginei que tivesse mais para o lado da loucura de lá do que da loucura de cá. Falava sempre por analogias e sofismas. Era um engenheiro brilhante daqueles que se licenciou com média de 19, com sete filhos fruto de dois casamentos e uma mente de filosofo. Conheci-o numa fase já avançada da vida e assim à vista ninguém dava nada por ele. Já não tinha idade para se preocupar com a roupagem ou as delicadezas de fanfarra. Chegava a ser mesmo diabólica aquela forma de trazer uma "bola de queijo limiano" para a mesa e esperar que os convivas a cortassem à dentada... Não lhe interessavam os aspectos mais rebuscados da boa linhagem nortenha. Comia sempre no mesmo restaurante perto da escritório, vivia numa casa forrada de livros que precisava de obras há anos e tinha uma família igual a ele. Do segundo casamento saíram três filhos que ele educava de forma tradicional e o mais desarrumada possível. A mulher tinha as características que se esperariam para uma pessoa fora do comum, ela também era diferente.
Quando Monteiro Enes conversava era bom que estivéssemos atentos, caso contrário perdíamos o fio à meada. No meio das suas conversas elaboradas, lentas, pausadas e articuladas com a cinza do cigarro que lhe caia nas camisolas coçadas ou casacos com lustro, este homem mantinha o interlocutor embasbacado durante horas. E depois tinha uma característica que só encontramos nos portugueses. É que ele não deixava de bater à porta sempre que passava por casa de um amigo e não era preciso cerimónias para receber quem não precisava de finuras mas apenas de alguém que ouvisse e apreciasse as suas palavras tolas à primeira vista mas com muita sabedoria quando analisadas com rigor.
Quando este amigo morreu, a discussão não ficou vazia porque ainda hoje nos serve de tema e de reflexão. Imagino que outros como eu se lembrarão dele. Pelo menos quero acreditar que sim.
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15/10/08
Portugal em Hamburgo
A história pode ser contada de muitas maneiras. Os portugueses espalhados pelo mundo são de origens diversas. Este exemplar corresponde a um trabalho de investigação. Um livro escrito por Michael Studemund-Halevy sobre a comunidade judaica portuguesa. "Portugal in Hamburg" está à venda na Alemanha e pretende ser um estudo cauteloso sobre questões ainda conflituosas."The following study is a first cautious attempt to investigate an aspect of recent Jewish history which has so far been neglected in research - the action taken by Sephardic Jews to rescue the endangered Portuguese-Spanish communities in Europe taking the fate of the community in Hamburg as one example."
Numa época em que a religião é tema de reflexão este é mais um assunto para pensarmos.
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Dupla nacionalidade no Luxemburgo
O Luxemburgo leva hoje a votação a lei da dupla nacionalidade. Para os 80.000 portugueses que aí vivem e que representa cerca de 30% da população emigrante, a aprovação da lei representa um maior número de oportunidades de emprego, de integração social e a oportunidade de passar ao patamar de cima e ser um cidadão de primeira. Para os emigrantes portugueses que apesar de viverem melhor no Luxemburgo do que viveriam em Portugal, este é um passo que se eles quiserem, poderá significar deixar de ser o pobrezinho no estrangeiro. Os emigrantes, seja que de origem forem, fazem aquilo que os cidadãos dos países que os acolhem não estão dispostos a fazer pelo mesmo salário. Para nossa sina, no Luxemburgo, todas as empregadas domésticas, balconistas, motoristas e empregados de construção civil, continuam a ser portugueses. Para nosso dissabor, estes portugueses que trabalham e muito, para amealhar - e que nos últimos tempos, nem sequer é para regressar ou enviar remessas, porque as taxas de juro são mais elevadas no Luxemburgo, limitando o incentivo a enviar o que quer que seja para Portugal - continuam a ser considerados os pobrezinhos que não auferindo os salários mínimos dos luxemburgueses, necessitam de subsídios para a educação, para a saúde ou para a compra de habitação. Um casal de portugueses em que ela na limpeza das casas de patroas luxemburguesas ganha cerca de 13,50 euros "declarados" por hora - como orgulhosamente uma me dizia - e ele, a trabalhar para um patrão português na construção civil, dias de horário normal mais os sábados "porque aqui não há nada para fazer, e vamos aproveitando o fim de semana para ganhar mais uns trocos", correspondendo a um rendimento familiar "limpo" de 5000 euros por mês, é considerado cidadão de segunda a necessitar das ajudas do governo luxemburguês. Assim este casal com dois filhos um com quatro e outro com oito anos, paga 5,00 euros por mês para ter os filhos na primária e no infantário com almoço e lanche incluídos, podendo pagar 8,00 euros, se quiser que eles fiquem na escola até às 18 horas.Este casal de emigrantes, boa gente e até esclarecido, que comprou uma casa, mas como continua a ser considerado o probezinho no Luxemburgo, tem um subsídio ao empréstimo à habitação, recebendo agora cerca de 500,00 euros por mês para fazer face ao financiamento que o obriga a pagar cerca de 1200,00 euros mensalmente durante 15 anos. Ou seja, este casal que vive numa casa comprada, que tem dois filhos, que tem dois automóveis, que vem uma vez por ano a Portugal, que já construiu a sua casinha na aldeia minhota no terreno dos antepassados, e que pode gastar cerca de 10,000 euros quando vem de férias à terra, continua a ser considerado de segunda fora e dentro do espaço Schengen. A aprovação da lei irá fazer com que os portugueses deixem de ser portugueses de segunda, porque agora o governo não tem a mesma razão para lhes continuar a dar subsídios e os empregadores fazerem vencimentos "declarados" mais baixos do que fariam aos de nacionalidade de primeira. Nesse caso, os portugueses e os luxemburgueses poderão ser apenas cidadãos que passaram ao estatuto de expatriados. O problema é que a mentalidade de emigrante continua a fazer-se sentir nas mentes de todos aqueles que são e que vêem quem parte e quem chega. E os portugueses que partiram de Portugal com o espírito de amealhar uns trocos e trabalhar porque "aqui não há nada para fazer", bem têm de pegar no carro e ir ao sábado e ao domingo ali ao lado a França , à Bélgica ou à Alemanha para ver mais alguma coisa e não ficar à espera que sejam os filhos a ter de descobrir que o mundo e o Luxemburgo, não são assim tão pequenos.
Foi o que eu fiz este fim de semana. Uma vez no Luxemburgo, fui ali até Reims passar o dia, ver a Catedral, comer uma boa refeição, encontrar excelente sol, que contrariava o nevoeiro anterior, e ainda regressei a tempo das enfadonhas reuniões de trabalho que fazem parte do nosso dia a dia. Mas isto sou eu e as minhas escolhas.
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13/10/08
01/09/08
De regresso ao trabalho, penso...
De regresso ao trabalho, penso em Carlos Malheiro Dias e que dele pouco sabemos, apenas que deu nome a ruas e em breve a Edifício na Invicta. Penso também, que muito poderíamos enriquecer se as Autarquias e as Escolas de diferentes regiões dessem mais tempo aos conterrâneos que por razões diversas nos dão orgulho em ser português. Esta raça de portugueses que a outra raça não quer saber de onde vem, o que fizeram e o que deixaram.Penso, que os alunos teriam outro prazer em ler autores identificados pelo lugar onde nasceram, teriam outro gosto e curiosidade em visitar exposições ou museus com o nome de alguém que deixaria de ser um desconhecido escritor, para passar a ser um "escriba" que nasceu na minha terra ou na minha cidade. E seria bom, que eu miúdo nascido na aldeia, pudesse dizer que Amadeo-Souza Cardoso nasceu no meu sítio, ou que Fernando Pessoa é da minha cidade ou que Eunice Muñoz vivia na minha rua e tomava café no "Cenáculo". Até porque no tempo em que todos sabíamos o nome da dono do café, do senhor da mercearia ou da dona da tabacaria era o tempo em que as pessoas tinham valor, nos representavam, nos valiam e nos davam inspiração para continuar o projecto que o Cliente reclama.
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22/08/08
Os Nelson deste país
Eu conheço pelo menos um que apesar de ter nascido em Portugal e ser de origem angolana, teve de sair pela mão amiga de alguém que lhe reconheceu potencial para ter a sua oportunidade.
E a pergunta fica mais uma vez, quantos outros existirão num país onde, como dizia Miguel Gaspar no Público, não se gosta de desporto, mas sim de clubes desportivos?
Para Nelson Évora, orgulho nacional, o merecido aplauso de parabéns. Para todos os portugueses também porque apesar de tudo, não é feito que se consiga com frequência.
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29/06/08
Antes que seja tarde Agustina
Agustina Bessa-Luís pertence à classe dos príncipes e princesas que não nasceram dentro da corte. Nascida em Vila Meã, de alma portuguesa, coração portuense e tendo "a língua portuguesa como Pátria", é uma das escritoras que melhor conhece o mundo de Manoel de Oliveira, do português e dos portugueses e da burguesia portuense passada e presente. Do jardim da sua casa com vista para o Douro e antes que seja tarde, a leitura do "Os Meninos de Ouro" está na ordem do dia.
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Manoel causa e efeito
Manoel de Oliveira entrevistado há dias sobre a proximidade da comemoração de um século de vida, dizia na sua habitual ironia "imagino que as pessoas estejam mais interessadas nos meus 100 anos que nos meus filmes". É o mais idoso realizador internacional no activo, para além do mais, é português e portuense. Continua à espera de receber os direitos de autor relativos ao seu primeiro filme "Aniki-Bóbó" por questões da burocracia de uma antiga lei salazarista. Um escândalo que esperemos se resolva a tempo.Manoel de Oliveira mal compreendido no seu tempo, nem bem nem mal amado pelos portugueses, reconhecido internacionalmente, mais um portuense que sabe que não é sapo mas a quem falta o beijo para ser príncipe.
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Os 50 anos da Rosa
Um destaque para a primeira representante e embaixadora do desporto nacional, no pós 25 de Abril. Rosa Mota faz hoje 50 anos e continua a ser a mesma pessoa que "em criança corria pelas vielas da Foz para fugir ao medo do escuro". Iniciou a sua carreira desportiva graças à sua determinação, ao seu entusiasmo, à sua garra e ao seu amor pelo desporto, "a nossa Rosinha" como o povo lhe chama, tem-nos enchido de orgulho ao longo destes anos, primeiro pelas medalhas e a seguir pela sua escondida faceta filantrópica. Parabéns Rosa!
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20/01/08
A Jóia do Alcides
O Alcides é um homem simples. O Alcides gosta de mostrar que é conhecedor do seu negócio. O Alcides tem orgulho nos seus vinhos, no seu peixe, nos seus clientes. O Alcides tem orgulho na sua família do leste, e na sua família portuguesa, também tem orgulho nas suas origens angolanas. Mas aquilo de que o Alcides mais se orgulha é da sua ementa. Especialmente a sua ementa de sobremesas. O Alcides tem uma jóia que ele se apressa a recomendar a quem o visita: Miss Daisy!
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