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31/08/08

Finito

A temporada chegou ao fim. Este ano para além do habitual "Abraço à Baía" e do ainda chique "Baile das Chitas", foram organizados outros eventos. Miss Pearls & Companhia estiveram presentes. Na praia o Voleibol por influência de Pequim esteve em alta, e tratando-se de um desporto de praia, o biquíni foi apropriado, seguindo aliás a opinião da voleibolista alemã Laura Ludwig, presente nos Jogos Olímpicos. E como bem dizia o jornal que todos leêm "As jogadoras exibem os corpos mas não se sentem usadas".
Por outro lado, a "Festa do iPod" foi muito apreciada e os respectivos convites fizeram-se por via aérea e em piloto automático.
Voltaram a ser organizadas as tardes da "sueca", intercaladas com as tardes do "king". Já a "bisca" e a "canasta" tiveram pouca adesão.
O tiro ao alvo ainda foi tentado, mas houve quem achasse que poderia ser crime organizado. Não teve grandes adeptos com excepção de alguns brasileiros que sentiram que poderiam ter vantagens competitivas. As corridas de touros fizeram parte do elenco de festas, apesar da ausência dos forcados amadores da Chamusca que se encontravam em S. Paulo, Nova Iorque e Londres a praticar outras touradas.
Tirando isto, houve muitos banhos, mas ondas só nos Salgados. Na rua dos cafés para além dos folhetins iniciados nos anos anteriores, a Feira do Livro incentivou adeptos dos países do sul a visitar os países nórdicos. A Colecção Outono/Inverno foi apresentada a 16 de Agosto, com o tradicional nevoeiro da zona balnear, antecipando as visitas à Finlândia.
O ensopado de enguias, mais à moda de Vila Franca de Xira, obrigou a malta a pensar na rentrée. Para o ano voltaremos com outras novelas, com os mesmos protagonistas e oxalá mais um.

30/08/08

Mulheres e homens "Virgo"

Primeiro as da casa e algumas de quem gostamos: Gloria Estefan, Anastacia, Agatha Christie e outras que representam uma viragem nos costumes: Twiggy, Joyce Brothers.
E ainda aquelas que conhecemos os maridos e lhes achamos graça.
Depois alguns que nos marcaram por alguma razão: Ingrid Bergman, Greta Carbo, Lauren Bacall, Raquel Welch, Sophia Loren, Jcqueline Bissett.
A seguir alguns homens que nos ajudam a rir: Peter Sellers, outros que não têm época: Maurice Chevalier, Jose Feliciano e finalmente um cartoon famoso: Mickey Mouse.

11/08/08

Entre o vidro e os espelhos

A blogosfera é uma pequena cidade virtual com bairros, jardins, lojas, teatros e cinemas, bibliotecas e livrarias, pessoas, coisas e loisas. Tal como acontece com outras cidades, gostamos mais de umas, detestamos outras. Visitamos certos locais, uns por rotina ou por gosto, outros porque sabemos que ali encontraremos sempre alguma coisa que nos sirva, passamos por outros só por curiosidade. Recomendamos aos amigos, recordamos os aniversários, contamos histórias que ouvimos, lemos os livros que nos recomendam, entramos e tomamos um café, pomos a conversa em dia.
Há dias em que nos vestimos melhor e gostamos mais do que vemos, outros em que se não fosse a superstição partíamos os espelhos que dão valor à imagem. Uma coisa sabemos, uma vez dentro, sair é difícil porque os amigos ou a comunidade não deixa, porque nos sentimos obrigados a cumprir uma missão, porque temos gozo no que fazemos. E, sempre no mesmo lugar, vamos dizendo olá, refazemos as histórias e a história, criamos amores e desamores, levamos e trazemos pequenos ódios e raivas de estimação, voltando no dia seguinte, para fazer as pazes com o dono da loja ou com a vizinha que, por um instante, nos estragou o estaminé com um anúncio publicitário. Respondemos com um teaser com o objectivo de manter a clientela e angariar novos curiosos.
Como os espaços e as cidades não vivem sem a alma das gentes, temos de agradecer a todos os que nos visitam e nos ajudam a manter as lojas com artigos interessantes, as galerias com exposições para visitar e pessoas para encontrar. Entre vidros e espelhos, entram visitantes de muitas cores que deixam e levam lembranças pertencentes a muitos lugares.
A minha loja não teria passado de anteprojecto, se a minha amiga Miss Pearls não a tivesse visitado logo no dia da pré-inauguração. É que ainda os preparativos estavam no ar e já a ela se afirmava adepta do espaço, confiante na dona da loja e desejosa de a recomendar aos amigos. Sabendo-me pessoa curiosa, pouco dada a reconhecimentos públicos e com pouco a acrescentar a algo que já outros tivessem dito, achou por bem "obrigar-me a continuar". Longe dos olhares e dos ouvidos dos mais próximos, por serem eles os nossos maiores críticos, mas também por ser deles que esperamos o reconhecimento e a apreciação do que fazemos, o anteprojecto passou a projecto, a inauguração foi feita, até porque no fim de contas, os vidros partem-se, segredos leva-os o vento e os espelhos não roubam a alma.

02/08/08

A vida não é só blogues


As coisas que uma pessoa encontra na pesquisa de imagens do google. Muito sensato e bem observado. E como a vida não são só blogues o que é que você vai fazer domingo à tarde?

27/03/08

A filha da porteira

A filha da porteira chegou a doutora e os meninos dos andares de cima não acharam graça. Ela foi sempre a mais invejada pelos outros meninos e meninas, apesar deles não terem autorização para brincar com ela. Ela foi crescendo, ficou moça adolescente e eles não podiam sair com ela a não ser às escondidas. Elas, as meninas, também admiravam os vestidos que a mãe lhe fazia numa costureira ali perto.
A filha da porteira tinha um pátio para brincar, todas as noites subia as escadas de serviço do prédio e ajudava a recolher o lixo dos meninos e das meninas dos andares de cima. A filha da porteira não tinha nome era, no entanto, aos olhos dos outros a mais feliz.
Para além do pátio, ela vestia roupas ousadas, para além da recolha do lixo ela podia sair à noite e ela tinha namorados.
Um dia ela deixou o pátio, a recolha do lixo e passou a ter um nome. Foi no dia em que se sentou na Faculdade ao lado dos meninos João e António e das meninas Maria Luísa e Maria Inês. A filha da porteira deixou de ter graça e de ser cobiçada naquele preciso momento! Agora a filha da porteira comenta os escritos dos meninos do andar de cima, e como eles não sabem quem ela é, apreciam o seu estilo e pela primeira vez elogiam o seu carácter, a sua tenacidade, a sua destreza intelectual. A filha da porteira continua, sem eles saberem, a ser a mais cobiçada.
A filha da porteira que toda a vida ouviu as histórias contadas pelas criadas dos meninos e das meninas dos andares de cima, apenas utiliza o que sempre soube, mas sob a capa de figura de estilo, porque de outra forma faria figura de porteira. E isso, a filha da porteira nunca vai permitir que eles saibam. A filha da porteira, apesar de elogiada por todos, apenas é identificada pelo filho da costureira.