Com as palavras de Pessoa a licenciatura teve o seu curso. Com palavras diversas alimentou a formação e cresceu em altura. O cabelo diminui no dia em que pela rua fora e perto de um portão o rapaz a abordou. A dança só a conseguiu no dia em que pelo canto do olho sorriu, e não dando o braço a torcer admitiu que o amava. O rapaz tornou-se cavalheiro e pediu a dama em casamento. Hoje passaram uns anos, quantos? Muitos, poucos ou alguns, não interessa. Consta que pelo meio nasceram rebentos do próprio sangue, mas o melhor da festa continua a ser a capacidade de rir e de levar a rapariga às alturas de um avião. Quanto ao rapaz tornou-se cavalheiro atento num espaço de dimensões construídas à volta de uma instituição: a Instituição do Matrimónio.
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01/08/08
Pessoa, Natália e outros poetas
Com as palavras de Pessoa a licenciatura teve o seu curso. Com palavras diversas alimentou a formação e cresceu em altura. O cabelo diminui no dia em que pela rua fora e perto de um portão o rapaz a abordou. A dança só a conseguiu no dia em que pelo canto do olho sorriu, e não dando o braço a torcer admitiu que o amava. O rapaz tornou-se cavalheiro e pediu a dama em casamento. Hoje passaram uns anos, quantos? Muitos, poucos ou alguns, não interessa. Consta que pelo meio nasceram rebentos do próprio sangue, mas o melhor da festa continua a ser a capacidade de rir e de levar a rapariga às alturas de um avião. Quanto ao rapaz tornou-se cavalheiro atento num espaço de dimensões construídas à volta de uma instituição: a Instituição do Matrimónio.
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18/07/08
11/07/08
Amor Moderno ou Amor Antigo?

..."A visão procriativa do casamento finou-se com a "invenção" e generalização do casamento por amor" ...
(Júlio Machado Vaz)
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10/06/08
Viver a dois
Existem duas alturas na vida em que o viver a dois se revela uma tarefa de aprendizagem. A primeira surge quando duas pessoas decidem viver juntas. A partilha do espaço, a concessão de direitos e deveres, a inter-ajuda em tarefas mal assumidas e de difícil aceitação e muita rejeição à perda de liberdade.O jovem casal tem de aprender a ceder e a gostar de dar prazer e não é líquido que gostem os dois da mesma música ou que queiram ver o mesmo filme. O mais certo é que queiram sentar-se no mesmo sítio do mesmo sofá, que um queira ver o futebol e o outro um documentário qualquer, para além da divisão das tarefas domésticas não ser situação pacífica.
Os dois jovens que até aqui faziam como bem entendiam, cada um tinha o seu canto com os seus hábitos e particularidades, partem para a relação a dois com o mesmo espírito. Os dois passam muitas vezes de amantes a gladiadores. O bom senso levará o navio a bom porto, se os dois quiserem.
A segunda fase de aprendizagem a dois, surge quando os filhos saem de casa. O casal que se habituou a ter as actividades distribuídas volta agora a ter de partilhar tempo, coisas e espaços. O tempo é fácil e pacífico, mas o espaço e as coisas é pior. É que tudo volta ao princípio. As mulheres que passaram a vida a partilhar tudo o que tinham com os filhos e com o marido estão iguais, só que com menos alvos alternativos. Os homens que também se habituaram a ser dependentes da mulher para umas coisas e a não dar informações para outras, acham estranho serem questionados sobre os seus assuntos. E o ambiente volta a ser de concessão e de perda de liberdade.
Por outro lado, os que conseguiram criar uma identidade própria, manter a sua independência e não caíram no erro de querer modificar o outro, conseguem voltar a bom porto. O único problema é que não querer modificar o outro, é sabedoria que só se adquire com a idade e muitas vezes, já é tarde para perceberem os dois, que o pior que pode acontecer ao casal é querer ser uma só pessoa.
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10/02/08
A Boda e os Bobos
Entre a capela da moda e a igreja do lugar eis chegado o Grande Dia. O cónego ou o senhor padre entra seguido dos seus acólitos. Os noivos aí estão no altar, e nas alas da bela Capela sussurram bem alinhados os devotos familiares. Ouvem-se cântigos modernos cantados por artistas a convite. Mais atrás, entre ateus e transeuntes estão os assistentes.A missa vai avançando, os fiéis vão tateando e recuando nas respostas, porque já estão meias esquecidas, porque têm pouca convicção. De vez em quando, uma criança chora, os assistentes olham para o ar admirando os "frescos" que ainda, lá continuam, os vitrais também. "olha só, já viste que bonito?" pergunta a avó ao neto, "canta filho, que as músicas são tão lindas!". Mas o neto não as reconhece. Ainda se fossem cantadas pela Shakira.
O ritual continua, os homens olham para o relógio, senta, levanta "é agora?" pergunta um. Schh... diz outro. A celebração termina tímida e frouxa para os assistentes. Grandiosa e triunfante para o Dono da Casa e seus novos convidados de luxo.
Os Bobos lá vão embora, divertidos, cumprimentando e fantasiando pelo que se segue: o jantar requintado ou o almocinho para uns, sexo e fanfarra mais tarde para outros. As jóias, essas são de todos: uns ambicionam o lugar do noivo e outros acreditam no papel da noiva.
A imprensa do dia seguinte, diz que nunca houve tantas pessoas a assistirem à missa nas Igrejas portuguesas. Pena é que estejam um bocado enferrujadas!
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15/01/08
Jóias: A que preço?
Antigamente os homens tinham jóias em casa e davam jóias fora de casa. Umas eram amadas por estar em casa, as outras eram desejadas por estar fora de casa.As duas eram jóias e não existindo nome diferente, as jóias não se confundiam - eram jóias!
Aquele que é simpático é uma jóia de pessoa: "O Sr. Dr. que Deus tem era uma jóia de pessoa, não desfazendo", assim falavam as antigas criadas que entretanto tinham sido umas jóias para o dono da casa.
Eu cá não sei, mas tenho para mim que isto deve querer dizer que um homem, novo, menos novo, moderno ou antiquado só deve comprar jóias para poder ter sempre uma jóia de reserva. Mas ao preço a que estão as jóias, o melhor é começar a investir directamente no ouro: o investimento é mais seguro e sempre se podem levar ao mercado.
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26/12/07
As minhas jóias
O que posso dizer das minhas jóias? Elas são grandes e pequenas, são redondas, quadradas e triangulares; umas foram compradas, outras oferecidas, outras cobiçadas. Umas são mais amadas, outras são detestadas, mas ninguém mas tira. Elas são minhas e a partir de hoje eu vou partilhar as minhas jóias com aqueles que me quiserem ler.
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